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domingo, 3 de outubro de 2010
quinta-feira, 4 de março de 2010
sexta-feira, 17 de julho de 2009
As Escolhas do Marmelo (2)
Olá outra vez, caros leitores. Bem vindos a mais uma edição das minhas escolhas!
Esta semana, decidi escrever uma lista que é muito mais que uma lista: é quase um guia Michelin de música que ninguém ouve, só que sem as avaliações com estrelas! É um verdadeiro guia de engate, qual roteiro da pinocada!
Esta semana decidi aprofundar um tema mencionado na última (primeira) edição desta rubrica: o engate de gajas indie (às quais me irei referir como indias).
Na humilde opinião deste marmelo, o grande problema das listas de álbuns para o engate de gajas indie é que o problema real do engate não é identificado. Reparem, normalmente são apenas listas normais de álbuns indie, quando é fácil de perceber que para o engate é necessária uma arma mais forte.
Depois de rever vários estudos sobre a psique das indias cheguei à conclusão que o que mais excita uma rapariga destas é, no fundo, o mesmo que excita outra rapariga qualquer: um homem dominador que sabe o que está a fazer. Assim sendo, é óbvio que não só os álbuns desta lista têm de ser indie, como também têm de ser quase completamente desconhecidos.
A primeira parte da actuação do galã, deve passar pela investigação profunda do alvo de modo a descobrir que bandas ela gosta. Ou então basta olhar para a t-shirt dela.
Se ela for apenas moderadamente indie, ou seja, se ouvir coisas mais ou menos mainstream como Vampire Weekend podem jogar uma bela cartada ao dizerem "já passei essa fase" e que "agora só ouço música africana como The Hallelujah Chicken Run Band". No álbum Take One, principalmente, a música é quase como Vampire Weekend, mas sem as teclas à The Cure e cantado numa língua africana qualquer.
Se, por outro lado, a primeira coisa que ela vos perguntar, mesmo antes do nome, for "Gostas mais de The Mars Volta ou At The Drive-In?", controlem a vontade de a espancar por ter dito "de The", guardando a energia para uma altura mais própria, quando Um Tapinha Não Dói™. Em vez disso, façam um ar de connaisseur e digam: "Eu gostava mais deles antes dos ATD-I, quando o Cedric tocava bateria nos The Fall On Deaf Ears". De facto (ahah), parte desta banda eram duas raparigas de 17 anos que morreram num acidente de carro, inspirando uma das músicas mais conhecidas dos ATD-I, Napoleon Solo. Só têm um EP cujas 5 músicas têm trechos do Bitches Brew!! Não sei o que mais precisam para papar a gaja...
Ainda nesta cena do punk, aproveito para sugerir um que vai deixar qualquer india molhadinha (a mim deixa, pelo menos). Dissertation, Honey dos The Plot to Blow Up the Eiffel Tower, uma mistura frenética entre punk e jazz.
Para as indias que gostam de música mais rápida (leia-se abusada), com uma perninha no QUALQUERCOISAcore ou assim, a minha única possível recomendação é iwrestledabearonce. Misturam breakcore (grindcore?) com interlúdios quase ambientais, mas atenção, tudo com muita ironia. Também só têm um EP e um LP, o que ajuda a aumentar o nível de desconhecimento. É aproveitar antes que toda a gente ande por aí com t-shirts deles.
Se a india em questão é mais dos dance-punks e cenas com alguma electrónica, falem-lhe dos Grabba Grabba Tape. Gostava de ter uma descrição à altura, coisas como "dois gajos vestidos de Chewbacca branco e rosa" não chega, acreditem. Apesar de serem espanhóis e espanha ser jah ali, é muito difícil encontrar material deles editado (ou pirateado), aumentando muito os indie-ces de indie-ness. Ah, o álbum chama-se KURT KOBAYA Y G.R.O.X. MAN ODIA NIRVANA.
Ufa, já cobri quase todos os casos possíveis. Ainda assim falta um muito importante, que é o da gaja que só ouve Animal Collective. Não consigo imaginar como é que o leitor possa estar interessado em alguém assim, mas quem sou eu para julgar? Sou só mais um marmelo. Vou deixar aqui uma bomba atómica, daquelas que é preciso ter cuidado ao usar. Paavoharju. Say what? Vou repetir: Paavoharju. Segundo a wikipedia são um colectivo asceticista cristão que se dedica a fazer psych-folk ambiental. O álbum que recomendo é o Laulu Laakson Kukista porque tive medo de ouvir os outros.
Quando bem usadas, estas recomendações são extremamente eficazes. Tenham cuidado e usem com descrição, porque de cada vez que falam destas bandas a uma gaja, ela e as amigas vão começar a ouvir e é poder de fogo que estão a perder.
Até para a semana!
Esta semana, decidi escrever uma lista que é muito mais que uma lista: é quase um guia Michelin de música que ninguém ouve, só que sem as avaliações com estrelas! É um verdadeiro guia de engate, qual roteiro da pinocada!
Esta semana decidi aprofundar um tema mencionado na última (primeira) edição desta rubrica: o engate de gajas indie (às quais me irei referir como indias).
Na humilde opinião deste marmelo, o grande problema das listas de álbuns para o engate de gajas indie é que o problema real do engate não é identificado. Reparem, normalmente são apenas listas normais de álbuns indie, quando é fácil de perceber que para o engate é necessária uma arma mais forte.
Depois de rever vários estudos sobre a psique das indias cheguei à conclusão que o que mais excita uma rapariga destas é, no fundo, o mesmo que excita outra rapariga qualquer: um homem dominador que sabe o que está a fazer. Assim sendo, é óbvio que não só os álbuns desta lista têm de ser indie, como também têm de ser quase completamente desconhecidos.
A primeira parte da actuação do galã, deve passar pela investigação profunda do alvo de modo a descobrir que bandas ela gosta. Ou então basta olhar para a t-shirt dela.
Se ela for apenas moderadamente indie, ou seja, se ouvir coisas mais ou menos mainstream como Vampire Weekend podem jogar uma bela cartada ao dizerem "já passei essa fase" e que "agora só ouço música africana como The Hallelujah Chicken Run Band". No álbum Take One, principalmente, a música é quase como Vampire Weekend, mas sem as teclas à The Cure e cantado numa língua africana qualquer.
Se, por outro lado, a primeira coisa que ela vos perguntar, mesmo antes do nome, for "Gostas mais de The Mars Volta ou At The Drive-In?", controlem a vontade de a espancar por ter dito "de The", guardando a energia para uma altura mais própria, quando Um Tapinha Não Dói™. Em vez disso, façam um ar de connaisseur e digam: "Eu gostava mais deles antes dos ATD-I, quando o Cedric tocava bateria nos The Fall On Deaf Ears". De facto (ahah), parte desta banda eram duas raparigas de 17 anos que morreram num acidente de carro, inspirando uma das músicas mais conhecidas dos ATD-I, Napoleon Solo. Só têm um EP cujas 5 músicas têm trechos do Bitches Brew!! Não sei o que mais precisam para papar a gaja...
Ainda nesta cena do punk, aproveito para sugerir um que vai deixar qualquer india molhadinha (a mim deixa, pelo menos). Dissertation, Honey dos The Plot to Blow Up the Eiffel Tower, uma mistura frenética entre punk e jazz.
Para as indias que gostam de música mais rápida (leia-se abusada), com uma perninha no QUALQUERCOISAcore ou assim, a minha única possível recomendação é iwrestledabearonce. Misturam breakcore (grindcore?) com interlúdios quase ambientais, mas atenção, tudo com muita ironia. Também só têm um EP e um LP, o que ajuda a aumentar o nível de desconhecimento. É aproveitar antes que toda a gente ande por aí com t-shirts deles.
Se a india em questão é mais dos dance-punks e cenas com alguma electrónica, falem-lhe dos Grabba Grabba Tape. Gostava de ter uma descrição à altura, coisas como "dois gajos vestidos de Chewbacca branco e rosa" não chega, acreditem. Apesar de serem espanhóis e espanha ser jah ali, é muito difícil encontrar material deles editado (ou pirateado), aumentando muito os indie-ces de indie-ness. Ah, o álbum chama-se KURT KOBAYA Y G.R.O.X. MAN ODIA NIRVANA.
Ufa, já cobri quase todos os casos possíveis. Ainda assim falta um muito importante, que é o da gaja que só ouve Animal Collective. Não consigo imaginar como é que o leitor possa estar interessado em alguém assim, mas quem sou eu para julgar? Sou só mais um marmelo. Vou deixar aqui uma bomba atómica, daquelas que é preciso ter cuidado ao usar. Paavoharju. Say what? Vou repetir: Paavoharju. Segundo a wikipedia são um colectivo asceticista cristão que se dedica a fazer psych-folk ambiental. O álbum que recomendo é o Laulu Laakson Kukista porque tive medo de ouvir os outros.
Quando bem usadas, estas recomendações são extremamente eficazes. Tenham cuidado e usem com descrição, porque de cada vez que falam destas bandas a uma gaja, ela e as amigas vão começar a ouvir e é poder de fogo que estão a perder.
Até para a semana!
sexta-feira, 10 de julho de 2009
As Escolhas do Marmelo (1)
Aproveitando a época baixa de postagens aqui no blog, enceto uma nova rubrica que espero visitar todas as semanas.
Neste espaço acolhedor, tentarei sugerir alguns álbuns dentro de um determinado tema, seja de bandas menos conhecidas ou simplesmente algumas pérolas esquecidas no baú. Ou então é o que me apetecer.
E quem sou eu para andar aqui a dar conselhos? - pergunta o leitor (na realidade o leitor perguntaria "quem é ele" e não "quem sou eu", a não ser quando sou realmente eu que estou a ler isto) - e pergunta com muita razão: de facto eu sou só mais um marmelo.
Vamos então começar esta rubrica com sugestões de álbuns para o Verão. Na humilde opinião deste marmelo, o grande problema das listas de álbuns com temas de Verão é que não indicam a altura do dia certa para ouvir determinado álbum. O Verão não é todo igual: ao longo do dia, muda a temperatura e muda o estado de espírito. Vou, por isso, dividir esta lista em partes do dia e fazer sugestões apropriadas.
Manhã (antes do meio dia): Há pessoas que apesar de ser Verão e não terem nada para fazer teimam em acordar cedo. De facto, é um hábito saudável que lhes permite apanhar a parte mais fresca do dia e fazer cagaçal para acordar os desgraçados que querem dormir.
Sugestão:
Anathallo - Floating World
Aí vai um álbum fresco, alegre e cheio de energia. Esta música, por exemplo, não representa bem o álbum porque ele mais parece um musical. Deve, por isso, ser ouvido na sua totalidade.
Manhã (depois do meio dia): Para as pessoas normais, o dia começa quando fica calor demais para estar na cama. Para a parte mais arrastada do dia, onde o calor é mais intenso, é esta a sugestão:
BORIS - Pink
Provavelmente o álbum mais acessível destes Stoner/Doom/Sludge rockers japoneses. Tem partes arrastadas, partes mais mexidas, o ideal para soltar as primeiras gotas de suor do dia. É perfeito para viagens de carro ao sol.
Tarde: De tarde, a maior parte das pessoas vai dar um mergulho à praia. Aproveite, porque a melhor maneira de engatar uma miúda estudante de Belas-Artes, Design ou uma merda assim é ir também à praia apanhar sol mas de forma irónica, qual critica mordaz à sociedade conformista em que vivemos. A banda sonora tem de ser bem escolhida. Tem de ser alguma coisa dançável e que as indias (as gajas do indie) conheçam.
Ora, só há uma banda nestes preparos que consegue manter a testosterona em níveis aceitaveis:
Death From Above 1979 - You're a Woman, I'm a Machine
Como é que alguém consegue fazer música dançável e ao mesmo tempo tão heavy-fucking-brutal-rocking-awesome? Não sei.
Lusco-Fusco: Para quem gosta de aproveitar ao máximo estes 5-7 minutos, aconselho que vão desempoeirar o gira-discos e ouçam este álbum na sua totalidade (se for preciso aumentem a velocidade para conseguirem ouvir tudo):
The Cult - Love
Mistura de rock gótico com misticismo índio dos The Doors, nada representa melhor o pôr-do-sol que isto.
Noite: Ainda há neste mundo pessoas com bom gosto. E depois há aquelas pessoas que saem à noite para discotecas. Tenho sugestões para as duas:
Às primeiras sugiro este álbum:
Soil & 'Pimp' Sessions - PIMP MASTER
Death Jazz, como eles lhe chamam. Jazz agresivo, rockeiro(?), mas sempre cheio de classe.
A quem sai à noite para discotecas, sugiro que use protecção. Não precisamos de mais gente como vocês.
Até para a semana!
Neste espaço acolhedor, tentarei sugerir alguns álbuns dentro de um determinado tema, seja de bandas menos conhecidas ou simplesmente algumas pérolas esquecidas no baú. Ou então é o que me apetecer.
E quem sou eu para andar aqui a dar conselhos? - pergunta o leitor (na realidade o leitor perguntaria "quem é ele" e não "quem sou eu", a não ser quando sou realmente eu que estou a ler isto) - e pergunta com muita razão: de facto eu sou só mais um marmelo.
Vamos então começar esta rubrica com sugestões de álbuns para o Verão. Na humilde opinião deste marmelo, o grande problema das listas de álbuns com temas de Verão é que não indicam a altura do dia certa para ouvir determinado álbum. O Verão não é todo igual: ao longo do dia, muda a temperatura e muda o estado de espírito. Vou, por isso, dividir esta lista em partes do dia e fazer sugestões apropriadas.
Manhã (antes do meio dia): Há pessoas que apesar de ser Verão e não terem nada para fazer teimam em acordar cedo. De facto, é um hábito saudável que lhes permite apanhar a parte mais fresca do dia e fazer cagaçal para acordar os desgraçados que querem dormir.
Sugestão:
Anathallo - Floating World
Aí vai um álbum fresco, alegre e cheio de energia. Esta música, por exemplo, não representa bem o álbum porque ele mais parece um musical. Deve, por isso, ser ouvido na sua totalidade.
Manhã (depois do meio dia): Para as pessoas normais, o dia começa quando fica calor demais para estar na cama. Para a parte mais arrastada do dia, onde o calor é mais intenso, é esta a sugestão:
BORIS - Pink
Provavelmente o álbum mais acessível destes Stoner/Doom/Sludge rockers japoneses. Tem partes arrastadas, partes mais mexidas, o ideal para soltar as primeiras gotas de suor do dia. É perfeito para viagens de carro ao sol.
Tarde: De tarde, a maior parte das pessoas vai dar um mergulho à praia. Aproveite, porque a melhor maneira de engatar uma miúda estudante de Belas-Artes, Design ou uma merda assim é ir também à praia apanhar sol mas de forma irónica, qual critica mordaz à sociedade conformista em que vivemos. A banda sonora tem de ser bem escolhida. Tem de ser alguma coisa dançável e que as indias (as gajas do indie) conheçam.
Ora, só há uma banda nestes preparos que consegue manter a testosterona em níveis aceitaveis:
Death From Above 1979 - You're a Woman, I'm a Machine
Como é que alguém consegue fazer música dançável e ao mesmo tempo tão heavy-fucking-brutal-rocking-awesome? Não sei.
Lusco-Fusco: Para quem gosta de aproveitar ao máximo estes 5-7 minutos, aconselho que vão desempoeirar o gira-discos e ouçam este álbum na sua totalidade (se for preciso aumentem a velocidade para conseguirem ouvir tudo):
The Cult - Love
Mistura de rock gótico com misticismo índio dos The Doors, nada representa melhor o pôr-do-sol que isto.
Noite: Ainda há neste mundo pessoas com bom gosto. E depois há aquelas pessoas que saem à noite para discotecas. Tenho sugestões para as duas:
Às primeiras sugiro este álbum:
Soil & 'Pimp' Sessions - PIMP MASTER
Death Jazz, como eles lhe chamam. Jazz agresivo, rockeiro(?), mas sempre cheio de classe.
A quem sai à noite para discotecas, sugiro que use protecção. Não precisamos de mais gente como vocês.
Até para a semana!
domingo, 12 de outubro de 2008
Carl Orff a dar voltas no túmulo
Carmina Burana, de Carl Orff, dia 10 de Outubro de 2008 no Coliseu do Porto
Já há muitos anos que queria ver ao vivo uma interpretação da célebre cantata cénica de Carl Orff. Ainda não foi desta.
Apesar de tudo se parecer encaminhar nesse sentido: antes de comprar os bilhetes li boas reviews, consultei o site da companhia (Ballet Flamenco de Madrid), muita publicidade. Uma suposta inovação na interpretação no bailado. Bom...
Antes de começar o espectáculo (com um belo atraso, parece que muita malta fina demorou a encontrar os vestidos enterrados no baú) ouvimos uns senhores atrás de nós comentarem: "nós nem gostamos disto, só viemos porque ele (o filho) tem que começar a ver coisas destas", e comecei a ficar preocupado. Desligam-se as luzes, continuam a ouvir-se telemóveis, ruído, pessoal a falar, cadeiras a ranger. Não estava a correr bem. Pior correu quando o primeiro acorde de "O Fortuna" soou num volume absurdo e com um timbre de plástico: estávamos a ouvir um CD! Parece que afinal quando se compra um bilhete para a Carmina Burana no Coliseu do Porto não se pode esperar ir ouvir música ao vivo...
Apesar do início atribulado, lá nos convencemos a tirar o máximo partido da experiência. De certeza que eles iam compensar com a qualidade do bailado, que outra justificação haveria para não se levar músicos? Acontece que os músicos não fariam o que ouvimos de seguida: um CD riscado que no fim de "Fortune Plango Vulnera" - o segundo momento da obra - saltou uma faixa para trás, e com a diferença de intensidade fez a coluna dar um estalo brutal. De resto, até ao fim da actuação os estalos, saltos e riscos foram uma constante, até se tornarem verdadeiramente insuportáveis. Juntem a isso uma péssima equalização que põe em primeiro plano o ruído de fundo do CD (que qualquer gravação tem), e têm uma receita infernal. Ao menos pudemos assistir a vários momentos cómicos com técnicos de som completamente às aranhas, em pânico e sem saber o que fazer.
Quanto ao bailado em si, e à encenação, posso dizer que esteve a par da vergonha a que assistimos: nunca os bailarinos estiveram sincronizados, havendo até momentos em que ficavam parados no meio do palco a rirem-se e a olhar sabe-se lá para onde porque não sabiam para onde deviam ir. Bailarinos que olhavam para os outros a tentarem imitá-los porque não sabiam a coreografia. Momentos de sapateado em conjunto que resultaram numa batida contínua porque estava cada um para seu lado. Um desajustamento completo face à obra: por exemplo, dançar o "Circa Mea Pectora" com vestidos verdes fluorescentes e com os passos do Can-can. Uma máquina de fumos daquelas dos concertos Rock que só funcionava quando a música estava em pianíssimo - conseguindo a incrível proeza de se sobrepor aos ruídos do CD!
Para abrilhantar ainda mais a coisa, temos o público que sempre que ouvia um acorde em fortíssimo desatava a bater palmas - apesar de a música continuar (isto é, quando não voltava para trás). Ao menos com músicos sempre podíamos fazer aquele compasso de espera ridículo entre andamentos, à espera que o público se cale.
Um pesadelo, de longe o pior espectáculo a que já fui. O Coliseu não se devia dar ao luxo de ter na sua programação (tantos e tão bons concertos que já lá vimos!) um ultraje destes. De fugir!
Antes de começar o espectáculo (com um belo atraso, parece que muita malta fina demorou a encontrar os vestidos enterrados no baú) ouvimos uns senhores atrás de nós comentarem: "nós nem gostamos disto, só viemos porque ele (o filho) tem que começar a ver coisas destas", e comecei a ficar preocupado. Desligam-se as luzes, continuam a ouvir-se telemóveis, ruído, pessoal a falar, cadeiras a ranger. Não estava a correr bem. Pior correu quando o primeiro acorde de "O Fortuna" soou num volume absurdo e com um timbre de plástico: estávamos a ouvir um CD! Parece que afinal quando se compra um bilhete para a Carmina Burana no Coliseu do Porto não se pode esperar ir ouvir música ao vivo...
Apesar do início atribulado, lá nos convencemos a tirar o máximo partido da experiência. De certeza que eles iam compensar com a qualidade do bailado, que outra justificação haveria para não se levar músicos? Acontece que os músicos não fariam o que ouvimos de seguida: um CD riscado que no fim de "Fortune Plango Vulnera" - o segundo momento da obra - saltou uma faixa para trás, e com a diferença de intensidade fez a coluna dar um estalo brutal. De resto, até ao fim da actuação os estalos, saltos e riscos foram uma constante, até se tornarem verdadeiramente insuportáveis. Juntem a isso uma péssima equalização que põe em primeiro plano o ruído de fundo do CD (que qualquer gravação tem), e têm uma receita infernal. Ao menos pudemos assistir a vários momentos cómicos com técnicos de som completamente às aranhas, em pânico e sem saber o que fazer.
Quanto ao bailado em si, e à encenação, posso dizer que esteve a par da vergonha a que assistimos: nunca os bailarinos estiveram sincronizados, havendo até momentos em que ficavam parados no meio do palco a rirem-se e a olhar sabe-se lá para onde porque não sabiam para onde deviam ir. Bailarinos que olhavam para os outros a tentarem imitá-los porque não sabiam a coreografia. Momentos de sapateado em conjunto que resultaram numa batida contínua porque estava cada um para seu lado. Um desajustamento completo face à obra: por exemplo, dançar o "Circa Mea Pectora" com vestidos verdes fluorescentes e com os passos do Can-can. Uma máquina de fumos daquelas dos concertos Rock que só funcionava quando a música estava em pianíssimo - conseguindo a incrível proeza de se sobrepor aos ruídos do CD!
Para abrilhantar ainda mais a coisa, temos o público que sempre que ouvia um acorde em fortíssimo desatava a bater palmas - apesar de a música continuar (isto é, quando não voltava para trás). Ao menos com músicos sempre podíamos fazer aquele compasso de espera ridículo entre andamentos, à espera que o público se cale.
Um pesadelo, de longe o pior espectáculo a que já fui. O Coliseu não se devia dar ao luxo de ter na sua programação (tantos e tão bons concertos que já lá vimos!) um ultraje destes. De fugir!
Oscar
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