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segunda-feira, 6 de junho de 2011
Lizt
Ou "no meu tempo é que os desenhos animados eram bonitos, não é agora essas coisas mal desenhadas e violentas".
«Eh, what's up, doc? Who? Franz Liszt? Never heard! Wrong Number!» (na versão Bugs Bunny)
«Eh, what's up, doc? Who? Franz Liszt? Never heard! Wrong Number!» (na versão Bugs Bunny)
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
quarta-feira, 21 de julho de 2010
sábado, 17 de julho de 2010
segunda-feira, 8 de março de 2010
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Beethoven Hoje
Maria João Pires, o gajo do cabelo "xquejito" dos Gift, o vocalista dos Gift, o Praça e o gajo dos Moonspell unem-se para dar uma interpretação nova às obras clássicas do Ludovico.
Podem ler o resto da notícia aqui.
Estou a brincar, é aqui. Mas o link anterior é igualmente fofo.
Podem ler o resto da notícia aqui.
Estou a brincar, é aqui. Mas o link anterior é igualmente fofo.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Moonleite sonata
O título deste post é particularmente infeliz, tendo competido pela escolha com outras ideias geniais como «B(eeth)ovino» ou «mu mu mu muuu! (ou a 5ª sinfonia cantada por vacas)». Felizmente, o Ludwig não nos pode ouvir. Ha!
Porque a silly season não discrimina ninguém, diz-nos o DN:
«Produtor estimula vacas com Beethoven
(...) O proprietário de uma exploração leiteira de Portalegre vai começar nos próximos dias a dar música a… 400 vacas. A ideia é "aliviar" o stress dos animais, garantir uma produção dentro de parâmetros elevados e criar um "bom ambiente" em toda a exploração.
"Gosto da música de Beethoven e é essa que se vai ouvir", explica José Ventura Nunes ao DN, esperançado em que o investimento de 1500 euros comece rapidamente a ser compensado com uma produção mais elevada.
(...)
"Para uma pessoa Beethoven pode ser relaxante e para outra pode ser irritante. No caso dos animais, temos de recorrer a verdades mais universais. Hoje já sabemos dizer, em termos muito gerais, que uma música relaxante tem poucas alterações, um ritmo pouco marcado, poucas mudanças de tonalidade, sem grande intensidade de instrumentos", explica Teresa Leite, considerando que não "é nada escandaloso" que a música ajude as vacas a ficarem "menos stressadas e, consequentemente, a produzirem mais leite".»
Sugestão de escuta relacionada: Captain Beefheart & His Magic Band - Safe as Milk
Porque a silly season não discrimina ninguém, diz-nos o DN:
«Produtor estimula vacas com Beethoven
(...) O proprietário de uma exploração leiteira de Portalegre vai começar nos próximos dias a dar música a… 400 vacas. A ideia é "aliviar" o stress dos animais, garantir uma produção dentro de parâmetros elevados e criar um "bom ambiente" em toda a exploração.
"Gosto da música de Beethoven e é essa que se vai ouvir", explica José Ventura Nunes ao DN, esperançado em que o investimento de 1500 euros comece rapidamente a ser compensado com uma produção mais elevada.
(...)
"Para uma pessoa Beethoven pode ser relaxante e para outra pode ser irritante. No caso dos animais, temos de recorrer a verdades mais universais. Hoje já sabemos dizer, em termos muito gerais, que uma música relaxante tem poucas alterações, um ritmo pouco marcado, poucas mudanças de tonalidade, sem grande intensidade de instrumentos", explica Teresa Leite, considerando que não "é nada escandaloso" que a música ajude as vacas a ficarem "menos stressadas e, consequentemente, a produzirem mais leite".»
Sugestão de escuta relacionada: Captain Beefheart & His Magic Band - Safe as Milk
sábado, 4 de julho de 2009
A ser verdade*
Vai e não voltes:
Maria João Pires renuncia à nacionalidade portuguesa, in Público
Quem conhece minimamente o estado da Música em Portugal, particularmente o seu lado institucionalizado (?) e formador (?), sabe que as coisas estão bem longe do aceitável, mas, com toda a razão que pudesse ter (e em muitas coisas não tinha), Maria João Pires acaba de a perder toda, juntamente com a sua credibilidade. Criticar os valores portugueses e a seguir renunciar à sua nacionalidade é de um egoísmo extremo vindo de uma menina mimada e com falta de atenção. Por muito que nos custe, a herança (onde se inclui a cultural) não se escolhe, e, das formas possíveis de lidar com isso, fugir e renegá-la é a pior e a mais cobarde.
Boa viagem
*porque ainda não foi confirmado, apesar de se afigurar como credível dados os desenvolvimentos recentes
Maria João Pires renuncia à nacionalidade portuguesa, in Público
Quem conhece minimamente o estado da Música em Portugal, particularmente o seu lado institucionalizado (?) e formador (?), sabe que as coisas estão bem longe do aceitável, mas, com toda a razão que pudesse ter (e em muitas coisas não tinha), Maria João Pires acaba de a perder toda, juntamente com a sua credibilidade. Criticar os valores portugueses e a seguir renunciar à sua nacionalidade é de um egoísmo extremo vindo de uma menina mimada e com falta de atenção. Por muito que nos custe, a herança (onde se inclui a cultural) não se escolhe, e, das formas possíveis de lidar com isso, fugir e renegá-la é a pior e a mais cobarde.
Boa viagem
*porque ainda não foi confirmado, apesar de se afigurar como credível dados os desenvolvimentos recentes
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
A música toma conta de mim
Diz num rascunho que a Casa da Música, em parceria com a Escola Superior de Educação do Porto, vai passar a ter um serviço que toma conta dos miúdos quando os pais vão aos concertos. Continuo a achar que era melhor que os pais levassem de facto os petizes ao concerto que vão ver (excepto se for de música contemporânea, que também não é preciso traumatizar as crianças) mas a ideia não deixa de ser interessante.A iniciativa «propõe oferecer aos mais pequenos uma série de actividades, que terão como fio condutor o programa musical a que os mais velhos estão a assistir. Jogos, experiências musicais com instrumentos, histórias e desenhos prometem entreter as crianças, dando-lhes a conhecer aspectos da vida dos compositores e das peças musicais que estão a ser interpretadas, ou do período da história da música em que viveram.»
Temas:
Clássica,
Contemporânea,
Eventos,
Notícias
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Percursos da Música Portuguesa
«Série de 14 programas, cada um com a duração de cerca de 30 minutos. Uma abordagem panorâmica da música erudita portuguesa desde o século XII até à actualidade, conduzida pelo maestro Jorge Matta. Cada programa foca uma época, um género, um compositor, ou um local, e utiliza sempre intérpretes especializados na época e na música executada, de entre os melhores que vivem ou actuam regularmente em Portugal.»
Sábados na RTP2. Mais informações aqui.
Sábados na RTP2. Mais informações aqui.
Temas:
Clássica,
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TV
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Ópera em Cinema - Parsifal
De vez em quando, a vida cultural no Porto tem os seus altos. Na verdade, depois dos comentários recentes acerca da "produção" (deveria dizer destruição?!?!) dos Carmina Burana do nosso "amigo" Carl Orff (o percurso político e cívico deste senhor mereceria aliás, só por si, um post separado...), no Coliseu (esse grande espaço do bailado e da música!!!), convinha referir algo de positivo...
Pois então, está a decorrer na Fundação de Serralves um ciclo de cinema em que é apresentada toda a obra de Manoel de Oliveira, acrescida de outros filmes, creio, por ele escolhidos (ou que de qualquer forma, têm afinidades com a obra dele). Esses filmes incluem Rebecca de Hitchcock, Le Charme Discret de la Bourgeoisie de Buñuel, A Paixão Segundo Mateus de Pasolini, entre muitos muitos outros. Um desses outros é o motivo deste post: o fabuloso, extraordinário Parsifal, do realizador alemão Hans Jürgen Syberberg, que consiste numa encenação fílmica da ópera de Wagner, ópera essa que contem alguma da música mais sublime alguma vez composta.
Não me vou alongar muito. Muito menos discutir as supostas simpatias nazis que estão implícitas tanto na ópera de Wagner como no próprio filme. Parecem-me aliás, ideias sem qualquer fundamento. Queria apenas referir que, apesar da limitação do propósito inicial (tratando-se de filmar uma ópera), os cenários, a cor da fotografia, o trabalho dos actores (ouvimos uma gravação por cantores profissionais, mas vemos actores que, embora também tendo cantado nas filmagens - o grau de detalhe com que Syberberg filma as expressões faciais, durante o canto, é verdadeiramente extraordinário -, são dobrados), a mobilidade hiptónica da câmara conferem ao filme uma força incrível. As pouco mais de 10 pessoas que assistiram a este filme no passado Domingo nem sentiram pelas quatro horas a passar... (não houve intervalo, de resto)
Mais informações aqui e aqui.
Dois pequenos excertos (pequenos por comparação com a duração da ópera...):
do Prelúdio:
do Segundo Acto:
Daniel.
Pois então, está a decorrer na Fundação de Serralves um ciclo de cinema em que é apresentada toda a obra de Manoel de Oliveira, acrescida de outros filmes, creio, por ele escolhidos (ou que de qualquer forma, têm afinidades com a obra dele). Esses filmes incluem Rebecca de Hitchcock, Le Charme Discret de la Bourgeoisie de Buñuel, A Paixão Segundo Mateus de Pasolini, entre muitos muitos outros. Um desses outros é o motivo deste post: o fabuloso, extraordinário Parsifal, do realizador alemão Hans Jürgen Syberberg, que consiste numa encenação fílmica da ópera de Wagner, ópera essa que contem alguma da música mais sublime alguma vez composta.
Não me vou alongar muito. Muito menos discutir as supostas simpatias nazis que estão implícitas tanto na ópera de Wagner como no próprio filme. Parecem-me aliás, ideias sem qualquer fundamento. Queria apenas referir que, apesar da limitação do propósito inicial (tratando-se de filmar uma ópera), os cenários, a cor da fotografia, o trabalho dos actores (ouvimos uma gravação por cantores profissionais, mas vemos actores que, embora também tendo cantado nas filmagens - o grau de detalhe com que Syberberg filma as expressões faciais, durante o canto, é verdadeiramente extraordinário -, são dobrados), a mobilidade hiptónica da câmara conferem ao filme uma força incrível. As pouco mais de 10 pessoas que assistiram a este filme no passado Domingo nem sentiram pelas quatro horas a passar... (não houve intervalo, de resto)
Mais informações aqui e aqui.
Dois pequenos excertos (pequenos por comparação com a duração da ópera...):
do Prelúdio:
do Segundo Acto:
Daniel.
Ciclo de Piano da Casa da Música
Decorre até Dezembro o ciclo de Piano da Casa da Música. Nicolai Lugansky, Olli Mustonen, Leif Ove Andsnes, Nina Schumann e Luís Magalhães, António Pinho Vargas, entre outros.
O programa detalhado em formato electrónico pode ser consultado aqui.
O programa detalhado em formato electrónico pode ser consultado aqui.
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Coro profissional da Casa da Música
«Dentro de um ano, a Casa da Música conta apresentar o seu coro profissional ao público do Porto. A formação será liderada pelo conceituado maestro britânico Paul Hillier, que assume o compromisso até 2014.
(...)
O projecto era já uma pretensão da Comissão Instaladora da Porto 2001, criada há precisamente dez anos, mas só agora estão reunidas todas as condições - incluindo as orçamentais - para se dar corpo a uma formação que, em certas ocasiões, chegará aos 80 elementos. No entanto, o núcleo de 16 cantores é o que terá uma base de trabalho mais regular.
(...)
"Ainda não sei, honestamente" é a resposta de Hillier quando se fala das expectativas que tem em relação ao Coro Casa da Música. Apenas avança dois objectivos concretos: "Explorar a música antiga e, ao mesmo tempo, apresentar repertório contemporâneo". (...)
A este propósito, António Jorge Pacheco refere que o referido núcleo de 16 cantores "permite abordar cantatas de Bach ou música 'a cappella' e permite defender muito bem o vastíssimo património português da música antiga, desde o Renascimento até ao início do período Barroco". O vasto catálogo de Fernando Lopes-Graça será outra das apostas da Casa da Música para os programas do coro, na versão de 16 elementos.
(...)»
artigo completo in Jornal de Notícias
(...)
O projecto era já uma pretensão da Comissão Instaladora da Porto 2001, criada há precisamente dez anos, mas só agora estão reunidas todas as condições - incluindo as orçamentais - para se dar corpo a uma formação que, em certas ocasiões, chegará aos 80 elementos. No entanto, o núcleo de 16 cantores é o que terá uma base de trabalho mais regular.
(...)
"Ainda não sei, honestamente" é a resposta de Hillier quando se fala das expectativas que tem em relação ao Coro Casa da Música. Apenas avança dois objectivos concretos: "Explorar a música antiga e, ao mesmo tempo, apresentar repertório contemporâneo". (...)
A este propósito, António Jorge Pacheco refere que o referido núcleo de 16 cantores "permite abordar cantatas de Bach ou música 'a cappella' e permite defender muito bem o vastíssimo património português da música antiga, desde o Renascimento até ao início do período Barroco". O vasto catálogo de Fernando Lopes-Graça será outra das apostas da Casa da Música para os programas do coro, na versão de 16 elementos.
(...)»
artigo completo in Jornal de Notícias
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segunda-feira, 13 de outubro de 2008
A condenação de Beethoven
Só mesmo nos states...
«Andrew Vactor, fã de hip-hop norte-americano levado a tribunal por ouvir música demasiado alto no seu automóvel, foi condenado por uma juíza do tribunal de Illinois a pagar uma multa de 150 dólares (aproximadamente 110 euros), mas poderia ter pago consideravelmente menos (26 euros) se tivesse aguentado 20 horas a ouvir Beethoven.
Segundo notícia da Associated Press, Vactor acedeu rapidamente à proposta, mas só conseguiu aguentar 15 minutos de música clássica. "Não consegui aguentar aquilo. Decidi pagar a multa".
A juiza disse que queria que Vactor percebesse o quão difícil é ouvir música de que não se gosta: "Penso que muita gente não gosta de ser forçada a ouvir música", mas acreditava que esta experiência o fizesse "abrir horizontes".»
in Blitz
«Andrew Vactor, fã de hip-hop norte-americano levado a tribunal por ouvir música demasiado alto no seu automóvel, foi condenado por uma juíza do tribunal de Illinois a pagar uma multa de 150 dólares (aproximadamente 110 euros), mas poderia ter pago consideravelmente menos (26 euros) se tivesse aguentado 20 horas a ouvir Beethoven.
Segundo notícia da Associated Press, Vactor acedeu rapidamente à proposta, mas só conseguiu aguentar 15 minutos de música clássica. "Não consegui aguentar aquilo. Decidi pagar a multa".
A juiza disse que queria que Vactor percebesse o quão difícil é ouvir música de que não se gosta: "Penso que muita gente não gosta de ser forçada a ouvir música", mas acreditava que esta experiência o fizesse "abrir horizontes".»
in Blitz
domingo, 12 de outubro de 2008
Carl Orff a dar voltas no túmulo
Carmina Burana, de Carl Orff, dia 10 de Outubro de 2008 no Coliseu do Porto
Já há muitos anos que queria ver ao vivo uma interpretação da célebre cantata cénica de Carl Orff. Ainda não foi desta.
Apesar de tudo se parecer encaminhar nesse sentido: antes de comprar os bilhetes li boas reviews, consultei o site da companhia (Ballet Flamenco de Madrid), muita publicidade. Uma suposta inovação na interpretação no bailado. Bom...
Antes de começar o espectáculo (com um belo atraso, parece que muita malta fina demorou a encontrar os vestidos enterrados no baú) ouvimos uns senhores atrás de nós comentarem: "nós nem gostamos disto, só viemos porque ele (o filho) tem que começar a ver coisas destas", e comecei a ficar preocupado. Desligam-se as luzes, continuam a ouvir-se telemóveis, ruído, pessoal a falar, cadeiras a ranger. Não estava a correr bem. Pior correu quando o primeiro acorde de "O Fortuna" soou num volume absurdo e com um timbre de plástico: estávamos a ouvir um CD! Parece que afinal quando se compra um bilhete para a Carmina Burana no Coliseu do Porto não se pode esperar ir ouvir música ao vivo...
Apesar do início atribulado, lá nos convencemos a tirar o máximo partido da experiência. De certeza que eles iam compensar com a qualidade do bailado, que outra justificação haveria para não se levar músicos? Acontece que os músicos não fariam o que ouvimos de seguida: um CD riscado que no fim de "Fortune Plango Vulnera" - o segundo momento da obra - saltou uma faixa para trás, e com a diferença de intensidade fez a coluna dar um estalo brutal. De resto, até ao fim da actuação os estalos, saltos e riscos foram uma constante, até se tornarem verdadeiramente insuportáveis. Juntem a isso uma péssima equalização que põe em primeiro plano o ruído de fundo do CD (que qualquer gravação tem), e têm uma receita infernal. Ao menos pudemos assistir a vários momentos cómicos com técnicos de som completamente às aranhas, em pânico e sem saber o que fazer.
Quanto ao bailado em si, e à encenação, posso dizer que esteve a par da vergonha a que assistimos: nunca os bailarinos estiveram sincronizados, havendo até momentos em que ficavam parados no meio do palco a rirem-se e a olhar sabe-se lá para onde porque não sabiam para onde deviam ir. Bailarinos que olhavam para os outros a tentarem imitá-los porque não sabiam a coreografia. Momentos de sapateado em conjunto que resultaram numa batida contínua porque estava cada um para seu lado. Um desajustamento completo face à obra: por exemplo, dançar o "Circa Mea Pectora" com vestidos verdes fluorescentes e com os passos do Can-can. Uma máquina de fumos daquelas dos concertos Rock que só funcionava quando a música estava em pianíssimo - conseguindo a incrível proeza de se sobrepor aos ruídos do CD!
Para abrilhantar ainda mais a coisa, temos o público que sempre que ouvia um acorde em fortíssimo desatava a bater palmas - apesar de a música continuar (isto é, quando não voltava para trás). Ao menos com músicos sempre podíamos fazer aquele compasso de espera ridículo entre andamentos, à espera que o público se cale.
Um pesadelo, de longe o pior espectáculo a que já fui. O Coliseu não se devia dar ao luxo de ter na sua programação (tantos e tão bons concertos que já lá vimos!) um ultraje destes. De fugir!
Antes de começar o espectáculo (com um belo atraso, parece que muita malta fina demorou a encontrar os vestidos enterrados no baú) ouvimos uns senhores atrás de nós comentarem: "nós nem gostamos disto, só viemos porque ele (o filho) tem que começar a ver coisas destas", e comecei a ficar preocupado. Desligam-se as luzes, continuam a ouvir-se telemóveis, ruído, pessoal a falar, cadeiras a ranger. Não estava a correr bem. Pior correu quando o primeiro acorde de "O Fortuna" soou num volume absurdo e com um timbre de plástico: estávamos a ouvir um CD! Parece que afinal quando se compra um bilhete para a Carmina Burana no Coliseu do Porto não se pode esperar ir ouvir música ao vivo...
Apesar do início atribulado, lá nos convencemos a tirar o máximo partido da experiência. De certeza que eles iam compensar com a qualidade do bailado, que outra justificação haveria para não se levar músicos? Acontece que os músicos não fariam o que ouvimos de seguida: um CD riscado que no fim de "Fortune Plango Vulnera" - o segundo momento da obra - saltou uma faixa para trás, e com a diferença de intensidade fez a coluna dar um estalo brutal. De resto, até ao fim da actuação os estalos, saltos e riscos foram uma constante, até se tornarem verdadeiramente insuportáveis. Juntem a isso uma péssima equalização que põe em primeiro plano o ruído de fundo do CD (que qualquer gravação tem), e têm uma receita infernal. Ao menos pudemos assistir a vários momentos cómicos com técnicos de som completamente às aranhas, em pânico e sem saber o que fazer.
Quanto ao bailado em si, e à encenação, posso dizer que esteve a par da vergonha a que assistimos: nunca os bailarinos estiveram sincronizados, havendo até momentos em que ficavam parados no meio do palco a rirem-se e a olhar sabe-se lá para onde porque não sabiam para onde deviam ir. Bailarinos que olhavam para os outros a tentarem imitá-los porque não sabiam a coreografia. Momentos de sapateado em conjunto que resultaram numa batida contínua porque estava cada um para seu lado. Um desajustamento completo face à obra: por exemplo, dançar o "Circa Mea Pectora" com vestidos verdes fluorescentes e com os passos do Can-can. Uma máquina de fumos daquelas dos concertos Rock que só funcionava quando a música estava em pianíssimo - conseguindo a incrível proeza de se sobrepor aos ruídos do CD!
Para abrilhantar ainda mais a coisa, temos o público que sempre que ouvia um acorde em fortíssimo desatava a bater palmas - apesar de a música continuar (isto é, quando não voltava para trás). Ao menos com músicos sempre podíamos fazer aquele compasso de espera ridículo entre andamentos, à espera que o público se cale.
Um pesadelo, de longe o pior espectáculo a que já fui. O Coliseu não se devia dar ao luxo de ter na sua programação (tantos e tão bons concertos que já lá vimos!) um ultraje destes. De fugir!
Oscar
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
A Geração Romântica
Ao fim de cerca de dois meses sem cá pôr os pés - refiro-me a escrever posts, pois não deixei de ler os - muitos - que foram saindo - estou de volta.
E para voltar, só podia escrever sobre este livro absolutamente fascinante, que há dois meses é leitura diária (vários capítulos têm sido alvo de repetida leitura...). Sobre este The Romantic Generation, apenas algumas breves palavras:
i) não conheço ninguém que escreva sobre música como Charles Rosen; é ao mesmo tempo densíssimo e ligeiríssimo, extraordinariamente profundo mas bem humorado, nunca banal nem pedante;
ii) todos os capítulos têm pontos de vista originais sobre os assuntos que versam - desde considerações estéticas gerais sobre o romantismo a ensaios sobre Chopin, Liszt, Mendelssohn, Berlioz, Schumann e a ópera no século XIX;
iii) os três ensaios sobre Chopin (quase um total de 200 páginas) são incrivelmente penetrantes e desfazem uma série de mitos sobre o polaco (não sabia construir grandes formas, é lamechas, etc, etc) - mais notícias sobre isso num post futuro (ou em posts futuros).
O livro leva-nos a reconsiderar todo o período (séc. XIX) e, no meu caso, só tem contribuído para aumentar o fascínio pela música desta época (sobretudo Chopin, Schumann e Liszt). Aconselho vivamente, sobretudo, a pianistas e compositores, mas o apelo do livro é, na verdade, para todos os músicos e amantes da música.
Para que isto não seja só texto, deixo uma das peças mais brilhantemente analisadas no livro (a terceira balada de Chopin):
Daniel.
E para voltar, só podia escrever sobre este livro absolutamente fascinante, que há dois meses é leitura diária (vários capítulos têm sido alvo de repetida leitura...). Sobre este The Romantic Generation, apenas algumas breves palavras:
i) não conheço ninguém que escreva sobre música como Charles Rosen; é ao mesmo tempo densíssimo e ligeiríssimo, extraordinariamente profundo mas bem humorado, nunca banal nem pedante;
ii) todos os capítulos têm pontos de vista originais sobre os assuntos que versam - desde considerações estéticas gerais sobre o romantismo a ensaios sobre Chopin, Liszt, Mendelssohn, Berlioz, Schumann e a ópera no século XIX;
iii) os três ensaios sobre Chopin (quase um total de 200 páginas) são incrivelmente penetrantes e desfazem uma série de mitos sobre o polaco (não sabia construir grandes formas, é lamechas, etc, etc) - mais notícias sobre isso num post futuro (ou em posts futuros).
O livro leva-nos a reconsiderar todo o período (séc. XIX) e, no meu caso, só tem contribuído para aumentar o fascínio pela música desta época (sobretudo Chopin, Schumann e Liszt). Aconselho vivamente, sobretudo, a pianistas e compositores, mas o apelo do livro é, na verdade, para todos os músicos e amantes da música.
Para que isto não seja só texto, deixo uma das peças mais brilhantemente analisadas no livro (a terceira balada de Chopin):
Daniel.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Orquestra no Metro do Porto
«O Metro do Porto celebra a 1 de Outubro o Dia Mundial da Música com um itinerário musical nas estações da sua rede, disse esta quarta-feira à agência Lusa fonte da empresa. Numa iniciativa conjunta, a Casa da Música e o Metro do Porto oferecem ao público em geral um itinerário musical aberto a clientes, levando Beethoven num passeio inédito desde meio da manhã até final da tarde.
Os diferentes naipes da Orquestra Nacional do Porto (ONP) vão distribuir-se por várias composições do metro, convergindo para a estação de S. Bento. Viajando nos veículos, em todas as linhas e a partir de vários pontos da rede, os músicos da ONP levam fragmentos da 5ª Sinfonia de Beethoven até à Estação de São Bento. Assim, a partir das 15h30, ao entrarem em algumas composições, os passageiros são recebidos por um naipe da ONP em plena execução daquela obra musical. À sua espera, na estação de S. Bento, está a maestrina Joana Carneiro que, uma vez reunida a orquestra, dirigirá o primeiro andamento daquela obra. Este breve concerto, que terá lugar pelas 16h30, no mezanino da Estação de São Bento, constitui o ponto alto das comemorações do Dia Mundial da Música.
Antes disso, desde as 11h00, o Serviço Educativo da Casa da Música propõe a quem queira ter uma participação mais activa nesta comemoração a construção de uma composição colectiva que vai ganhando forma ao longo do dia, a partir dos sons que vão sendo «depositados» em vários pontos de recolha instalados em estações do Metro. Músicos e não-músicos são convidados a dar o seu contributo através dos mais variados sons dos seus instrumentos ou da voz.
Em estações devidamente seleccionadas (Casa da Música, Trindade, Bolhão, Marquês), são instalados Pontos de Recolha e o material sonoro vai sendo progressivamente transportado para a Estação de São Bento por correios sonoros» que viajam no Metro. Esta «obra do dia» é uma colagem feita a partir do material gerado por todos os participantes e quem passa pode ser «executante» ao accionar os sensores do Sound=Space - instrumento musical electrónico que transforma em sons todos os movimentos realizados num determinado espaço.
O resultado global será apresentado na Estação de Metro de São Bento.»
in iol música
Os diferentes naipes da Orquestra Nacional do Porto (ONP) vão distribuir-se por várias composições do metro, convergindo para a estação de S. Bento. Viajando nos veículos, em todas as linhas e a partir de vários pontos da rede, os músicos da ONP levam fragmentos da 5ª Sinfonia de Beethoven até à Estação de São Bento. Assim, a partir das 15h30, ao entrarem em algumas composições, os passageiros são recebidos por um naipe da ONP em plena execução daquela obra musical. À sua espera, na estação de S. Bento, está a maestrina Joana Carneiro que, uma vez reunida a orquestra, dirigirá o primeiro andamento daquela obra. Este breve concerto, que terá lugar pelas 16h30, no mezanino da Estação de São Bento, constitui o ponto alto das comemorações do Dia Mundial da Música.
Antes disso, desde as 11h00, o Serviço Educativo da Casa da Música propõe a quem queira ter uma participação mais activa nesta comemoração a construção de uma composição colectiva que vai ganhando forma ao longo do dia, a partir dos sons que vão sendo «depositados» em vários pontos de recolha instalados em estações do Metro. Músicos e não-músicos são convidados a dar o seu contributo através dos mais variados sons dos seus instrumentos ou da voz.
Em estações devidamente seleccionadas (Casa da Música, Trindade, Bolhão, Marquês), são instalados Pontos de Recolha e o material sonoro vai sendo progressivamente transportado para a Estação de São Bento por correios sonoros» que viajam no Metro. Esta «obra do dia» é uma colagem feita a partir do material gerado por todos os participantes e quem passa pode ser «executante» ao accionar os sensores do Sound=Space - instrumento musical electrónico que transforma em sons todos os movimentos realizados num determinado espaço.
O resultado global será apresentado na Estação de Metro de São Bento.»
in iol música
terça-feira, 23 de setembro de 2008
De realçar
Voltei e é para ficar. Seguem dois links com notícias de algum interesse, uma sobre o novo Maestro Titular da ONP, Christoph König, outro sobre o Tenor Mário João Alves. Ambos gajos porreiros por sinal. Sobre o König hei de fazer um post sobre o concerto que dirigiu no passado dia 20. Fica o cheirinho:
Christoph König
Mário João Alves
Abraços!
Christoph König
Mário João Alves
Abraços!
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