quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Uma Teoria da Arte



Andando há uns meses mergulhado nesta obra, já era tempo de escrever um post sobre isso. No que creio que será o primeiro post sobre estética no inarmónico.

Escrito por um musicólogo de sólida formação filosófica - Karol Berger - este A Theory of Art é uma obra de referência na reflexão estética actual. Em traços muito gerais - este post pretende ser apenas uma pequena chamada de atenção - o livro opõe-se a uma visão da arte (da estética) separada da dimensão ética e moral - estas dimensões são essenciais na sua concepção de arte. A pergunta central que subjaz à obra é, assim:

"What, if anything, has art to do with the rest of our lives, and in particular with those ethical and political issues that matter to us most?"

Este princípio tem grandes implicações, quanto mais não seja porque coloca o dedo na ferida em relação a muita da arte actual. Para Berger, algumas das funções centrais que a arte pode cumprir (a título de exemplo) dizem respeito a iluminar a nossa existência real ou a conceber a existência de mundos utópicos -a arte tem, por isso, implicações ao nível ético, ao nível dos valores, ao nível da vida em comunidade...

Outro aspecto interessante é que a música ocupa um espaço central nesta Teoria da Arte (o que é, aliás, bastante raro em obras deste tipo). Assim, todo um capítulo é dedicado a uma perspectiva histórica da evolução da música.

Podemos concordar com a visão do autor em maior ou menor grau, mas uma coisa é certa, é uma obra absolutamente fascinante!

Pode ser comprado aqui e parcialmente lido aqui.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

4 x 36



4 acordes, 36 músicas.

Nancarrow

No século XX - e suponho que também noutras épocas - há alguns compositores que poderiam ser chamados, com toda a propriedade, marginais. Desenvolvendo o seu estilo praticamente isolados do resto do mundo, alheios às preocupações mais características do seu tempo, são mais tarde redescobertos e inspiram novos desenvolvimentos. Lembro-me, na primeira metade do século XX, de Varése e, na segunda, de Scelsi e de Nancarrow.

Este último - Conlon Nancarrow - começou a compor, a partir da década de 1940, uma série de peças para pianola, escrevendo directamente nos rolos perfurados (só mais tarde a sua música seria transcrita para notação convencional) - note-se como é uma técnica em tudo similar a quem escreve hoje directamente instruções midi num qualquer sequenciador. Sem entrar em muitos detalhes, é uma música de uma incrível complexidade rítmica (os compositores, embora geralmente sádicos em relação aos intérpretes, como é sabido, ainda se contêm um pouco - ora, com um sistema automático de execução, podem dar livre curso ao seu sadismo e loucura latentes...); já o aspecto melódico e harmónico é geralmente criticado por ser primitivo e popular (esta última parte nunca é explicitada, mas está sempre implícita...) o que, quanto a mim, é bastante injusto (a identidade desta música depende precisamente disso).

Alguns exemplos:

Study no.5 for player piano (reparar o inacreditável crescendo de textura!)




Study no. 11 for player piano



A partir dos anos 70, esta música veio a influenciar a obra de muitos compositores, desde logo Ligeti e Grisey. Vejam lá se esta peça não tem algo a ver com as anteriores:


Ligeti - Étude nº 1 "Désordre" (por falar em atitudes sádicas dos compositores face aos intérpretes...)

Umbilical

Desculpem o carácter grotesco mas o Cyanide and Happiness é mesmo assim.

Secura #1

- Sabem quanto leva o The Edge (guitarrista dos U2) por cada concerto?
- Nada. Toca sempre pro Bono...

SXSW

O conhecido mais-que-um-festival South By Southwest vai contar este ano com as presenças lusas de Clã, Legendary Tiger Man, David Fonseca (este já é repetente), Buraka Som Sistema e Rita Redshoes.
É bom ver cada vez mais artistas portugueses por lá, algo inimaginável há poucos anos.

Eu já não era o maior fã dos U2

Mas é de mim... ou a nova música deles soa a Mesa?

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

João Aguardela

João Aguardela morreu ontem em Lisboa aos 39 anos, vítima de cancro. Deixa obra nos Sitiados, Megafone, Linha da Frente e n'A Naifa, sempre com um espírito inovador e muito pessoal na reinvenção da tradição.

Mais detalhes na blitz e no blog d'A Naifa.

Bandas sonoras

Venho abrir um desafio: que os companheiros inarmónicos indiquem um filme cuja banda sonora lhes tenha especialmente impressionado. Podia indicar mais de meia dúzia - lembro-me de repente do Vertigo de Hitchcock, do Crash de Cronenberg, do Solaris de Tarkovsky, da Sarabanda de Bergman e tantos, tantos outros...

Mas nenhum me deixou tão boquiaberto como o Notre Musique, do Godard - ver aqui; a primeira parte do filme (o Inferno), em particular, deve ter a banda sonora mais assustadora da história!

Ver aqui o início:



E ainda outros exemplos (que não fazem justiça ao filme, claro, só no contexto tudo funciona):


O trailer:




(esta música para piano, cujo compositor ando há anos a tentar descortinar, é inacreditável!!!!!)


Excertos vários:

domingo, 18 de janeiro de 2009

Passado de Slimmy Revelado

Goste-se ou não, Slimmy é um dos artistas portugueses com mais êxito nos últimos anos. Embora muita gente ache que este senhor surgiu do nada, desengane-se, pois venho agora revelar o seu passado na música.

Slimmy começou a sua carreira nos saudosos anos 70 como baixista dos Xarhanga, acompanhado na guitarra eléctrica por não outro senão Júlio Pereira!

Embora na altura usasse o pseudónimo Carlos Patrício, consegui imagens exclusivas que comprovam esta colaboração fantástica:

Como podemos comprovar na capa de Acid Nightmare de 71, Slimmy estava presente!

Slimmy comprova assim que não só tem um belo passado na música como se sabe fazer acompanhar dos melhores músicos. Reparem como é um artista camaleónico e versátil!