terça-feira, 21 de outubro de 2008

Coral de Letras - Abertas AUDIÇÕES (25 de Outubro)

Esta notícia dirige-se a todos os que gostam de cantar:

- No próximo sábado, 25 de Outubro a partir das 15h, o Coral de Letras da Universidade do Porto realizará audições a todos os interessados, com o objectivo de reforçar o grupo por forma a responder aos projectos em que está envolvido. Para informações mais detalhadas, ver o site.

Relembro que o Coral de Letras está aberto a todos, não tendo que pertencer nem à Faculdade de Letras nem à Universidade do Porto. Se gostas de cantar, aparece!

As audições terão lugar nas instalações do Coral, na Rua dos Bragas (à Faculdade de Direito da Universidade do Porto).


- Amanhã (quarta-feira, dia 22 de Outubro), se sintonizarem a Antena2 pelas 8h 30 (da manhã) poderão ouvir uma pequena entrevista ao Maestro José Luís Borges Coelho, em que, entre outras coisas, se deverá referir a estes projectos e às audições de próximo sábado.

Ficamos à vossa espera!

Dois concertos a não perder!

Destina-se este post a dar conta de dois importantes concertos a decorrer ainda esta semana:

- Quinta-feira, 23 de Outubro, às 21h 30, na Câmara Municipal de Matosinhos, concerto pelo Quarteto de Cordas de Matosinhos, em que, entre outras obras, estreará o Quarteto de Cordas do compositor Fernando Lapa (cf., por exemplo, aqui e aqui).

- Sexta-feira, 24 de Outubro, às 21h, na Casa da Música, concerto comemorativo do 8º Aniversário do Remix Ensemble, em que poderemos ouvir algumas obras para dois ensembles (Remix Ensemble + Musik Fabrik - grupo alemão de música contemporânea). O concerto conta com obras de Birtwistle, Kurtag e Xenakis. Informações mais detalhadas aqui.

Resumindo, a não perder!

Daniel.

Um sonho feito de imagens e sons

Mais um post relacionado com o Ciclo de Cinema sobre Manoel de Oliveira, a decorrer na Fundação de Serralves (cf. aqui).

Refiro-me ao absolutamente extraordinário filme O Convento, exibido na passada terça-feira, 14 de Outubro. A atmosfera do filme é de tal forma sombria, onírica e alucinada que, como alguém disse, depois de vermos o filme não temos bem a certeza se o vimos ou sonhámos. A fotografia e o sentido do enquadramento são, como é habitual em Oliveira, não menos originais do que irrepreensíveis. E quatro actores verdadeiramente alucinados, autênticos espectros movendo-se na tela: John Malkovich, Catherine Deneuve, Luís Miguel Cintra (o melhor dos 4!!!) e Leonor Silveira.

Bem, e perguntam por que razão um post destes num blog sobre música. Por duas razões. Em primeiro lugar, porque esta forma de contar histórias, pelo encantamento que provoca, é essencialmente musical. Depois, porque a música tem um papel essencial no filme, como contraponto da imagem, contribuindo decisivamente para reforçar o seu carácter alucinado - é, de facto, a música que, em boa medida, dá profundidade à imagem, lhe dá relevo, um outro significado. Deixo este pequeno excerto do YouTube, que não deixa adivinhar a história de modo demasiado descarado, mas que pode dar uma ideia do que estou a falar.

(Haveria, aliás, muito a falar sobre a utilização da música em Manoel de Oliveira, numa abordagem tão pessoal quanto a de, por exemplo, Stanley Kubrick ou Andrei Tarkovsky (cf. aqui). Voltarei a este assunto.)

NOTA: Creio que a música é de Sofia Gubaidulina, como a maior parte da banda sonora, mas ainda não consegui confirmar relativamente a esta passagem em particular.



Daniel.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Eu beijei uma rapariga e gostei

«Se já beijei uma rapariga? Claro que sim. Não conseguiria cantar a canção se não o tivesse feito. Isso seria uma completa hipocrisia.»

Horray! O fetiche lesbiano ainda vende! Todos já devem ter ouvido a música "I Kissed a Girl" da norte-americana Katy Perry, quer na sua versão original quer na versão "rock remix" (o que quer que isso seja). Quem não ouviu saiba que é uma música tocante e profundíssima sobre uma menina que beija outra menina e espera que o seu namorado (que é menino) não queira deixar de brincar aos médicos com ela por causa disso. Ou então não (a parte dos elogios à musica, não a do tema). Pois a música lá tem feito sucesso (com um teledisco com muitas meninas e pouca roupa) e a jovem tem dado entrevistas e tal... o percurso normal dos one-hit wonder dos states. Já sabemos que os pais são pastores (não dos rijos das ovelhas), que a mãe de ascendência portuguesa namorou com o Hendrix, que o pai era um drogado que a religião salvou, e que gostaria de beijar a Angelina, a Scarlett e a Portman.

Gosto especialmente de uma declaração sua: «Hoje em dia, há muita música vazia de sentido».

Deixo-vos com um belo dum vídeo. Os trejeitos soft eróticos chegaram, assim como o ridículo. Depois do strip da bela vestimenta enquanto cantava (assim para o malzinho) surge o mergulho para um bolo gigante. Vejam depois, a partir dos 3:40, os belos dos tralhos!



«Os meus pais estão muito orgulhosos de mim. Não sou uma drogada nem ando por aí despida. Posso cantar sobre um pequeno beijo, mas as coisas ficam por aí.»

Priest Feast

O pessoal do metal dos antigamentes vai ficar eufórico com esta certamente:

Judas Priest, Megadeth e Testament numa só noite no Pavilhão Atlântico dia 17 de Março de 2009.

\m/

Metafonia: o valor da marca

Se há coisa que admiro nos Led Zeppelin é o seu fim. Os Led Zeppelin são o Page, o Plant, o Jones e o Bonham, e sem o Bonham não há Zeppelin. Foi qualquer coisa assim que os senhores disseram e pensaram quando o seu baterista de sempre morreu tragicamente. Para mim sempre foi um acto de coerência e que raras vezes vi noutras bandas. Inclusive se agora se tornar verdade o boato de que Page e Jones avançam sem Plant para uma tour, ficarei desiludido. Serão como o May e Taylor a envergonhar a chancela Queen no último álbum que saiu... Ou como os Nightwish trocarem de vocalista e passarem a soar ao vivo como uma banda de covers, já que o instrumental é facilmente imitável (dado o carácter electrónico dos instrumentos) - a voz da Tarja sempre foi o elemento distintivo da banda. Mas o valor da marca sobrepõem-se quase sempre aos subjectivos valores artísticos.

Mas esta posta não é sobre os gigantes britânicos (e anões finlandeses), mas sim sobre os Madredeus. Por muito que goste da obra do Pedro Ayres de Magalhães, e mesmo sabendo do seu papel como mentor do projecto, não posso deixar de ficar incomodado com as notícias do novo álbum, editado hoje.
Depois da saída de Teresa Salgueiro, José Peixoto e Fernando Júdice, e ficando apenas Pedro Ayres de Magalhães e Carlos Maria Trindade, foram recrutadas duas vocalistas: Mariana Abrunheiro e Rita Damásio. Como não chegava para fazer a "nova música" dos Madredeus, junta-se a «Banda Cósmica» (menos...) composta por: Ana Isabel Dias (harpa), Sérgio Zurawski (guitarra eléctrica), Gustavo Roriz (guitarra baixo), Ruca Rebordão (percussão), Babi Bergamini (bateria), Jorge Varrecoso (violino) e Sofia Vitória, Cristina Loureiro e Marisa Fortes (coros).

Não consigo deixar de ver esta continuação como uma valorização do nome da banda como marca em detrimento da vertente de carreira artística, que é algo mais que um nome e umas rodelas de plástico. Mas isso é o meu lirismo a falar. Decerto que o senhor lá terá os direitos ao nome e poderá reivindicar o projecto como seu filho - o seu papel na história dos Madredeus é inegável e de se tirar o chapéu! Mas mesmo assim, não acho que faça sentido.

Como também estou aqui para informar, resta dizer que o álbum «Metafonia» será duplo, com 12 temas inéditos e 7 regravações (há que manter o fio condutor de alguma forma, além de serem precisas músicas para os concertos).

O álbum será certamente de qualidade. Os seus compositores assim o indicam. Mas preferia um nome diferente, só isso.

Mais informações aqui, aqui, aqui e também aqui.

domingo, 19 de outubro de 2008

We' jammin'

Porque o Jazz também é humano como as pessoas, apresenta-se um cartaz para os próximos tempos que é, no mínimo, brutal!

Dia 7 de Novembro, um dos maiores músicos e caras do "free-jazz", Ornette Coleman, vem ao Coliseu do Porto apresentar o seu recente "Sound Grammar", que lhe valeu, entre outros, um Pulitzer em '07.

Mais a norte, também em Novembro, temos a edição de 2008 do Guimarães Jazz. Um dos mais míticos festivais de jazz do nosso país apresenta um cartaz fortíssimo:
13/11 - Kurt Elling Quartet
14/11 - Big band ESMAE
14/11 - Steve Coleman and Five Elements
15/11- Ben Monder, Matt Pavolka, Pete Rende, Alexandre Frazão, João Moreira
15/11 - Django Bates and storMCHaser - Spring is here (shall we dance?)
19/11 - Marcus Strickland Quintet
20/11 - The Cookers - Lee Morgan 70th Birthday Celebration
21/11 - Kenny Barron Trio
22/11 - Metropole Orchestra conducted by Vince Mendoza

Mais informações n'A Oficina

sábado, 18 de outubro de 2008

Indo eu a Recardães

Pelo título do post vê-se logo que sou eu a retratar mais um dos meus «programinhas manhosos do folk», que me levam aos sítios recônditos deste belo Portugal das tradições. Pois assim foi no passado dia 10. Peguei eu na minha carripana, do Porto a Recardães, freguesia do concelho de Águeda, terra da d'Orfeu e palco do concerto de encerramento do 7º Festival «O Gesto Orelhudo», anunciado aqui.
Paragem em Aveiro para apanhar uns amigos, e descobrir que a internet mentiu ao dizer que havia bilhetes à venda no Mercado Negro - só havia passes para o festival inteiro. Nova paragem em Águeda para descobrir que a internet mentiu outra vez ao dizer que havia bilhetes na sede da d'Orfeu. Aumenta a preocupação com o aproximar da hora e a noção da popularidade que os filhos da terra têm nas imediações serranas. Preocupações escusadas (ou não, porque o sítio encheu mesmo) pois lá conseguimos comprar os nossos bilhetes à chegada ao Auditório da Junta de Freguesia de Recardães. Jantados no à beira da estrada «Zito dos Leitões» (rijo!) lá fomos para o dito cujo concerto.
As minhas expectativas estavam altas: ja tinha visto os Toques do Caramulo duas vezes e os Galandum Galundaina uma. Sabia que era provavelmente a única hipótese de ver os Galandum sem me aborrecer (mesmo assim aborreci-me). E o encontro das duas bandas já tinha acontecido uma vez... e prometia.

O que se seguiu foi um belo espectáculo que envolveu dezenas de pessoas, entre as referidas bandas, coro ("normal" e infantil), Pauliteiros de Miranda (muito bom!) e recriações, coreografias e trajes típicos.
Nunca tinha visto um concerto de folk com tanto público, estavam centenas de pessoas a lotar por completo a sauna - perdão, o Auditório - de Recardães. O concerto foi muito bom. Os vários intervenientes acrescentaram um óptimo colorido à actuação - já por si habitualmente vistosa - dos TC, e a fusão do Caramulo com as terras de Miranda foi feliz. Fica na memória. Siga de volta para casa que há 80km à espera de serem percorridos.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Ópera em Cinema - Parsifal

De vez em quando, a vida cultural no Porto tem os seus altos. Na verdade, depois dos comentários recentes acerca da "produção" (deveria dizer destruição?!?!) dos Carmina Burana do nosso "amigo" Carl Orff (o percurso político e cívico deste senhor mereceria aliás, só por si, um post separado...), no Coliseu (esse grande espaço do bailado e da música!!!), convinha referir algo de positivo...

Pois então, está a decorrer na Fundação de Serralves um ciclo de cinema em que é apresentada toda a obra de Manoel de Oliveira, acrescida de outros filmes, creio, por ele escolhidos (ou que de qualquer forma, têm afinidades com a obra dele). Esses filmes incluem Rebecca de Hitchcock, Le Charme Discret de la Bourgeoisie de Buñuel, A Paixão Segundo Mateus de Pasolini, entre muitos muitos outros. Um desses outros é o motivo deste post: o fabuloso, extraordinário Parsifal, do realizador alemão Hans Jürgen Syberberg, que consiste numa encenação fílmica da ópera de Wagner, ópera essa que contem alguma da música mais sublime alguma vez composta.

Não me vou alongar muito. Muito menos discutir as supostas simpatias nazis que estão implícitas tanto na ópera de Wagner como no próprio filme. Parecem-me aliás, ideias sem qualquer fundamento. Queria apenas referir que, apesar da limitação do propósito inicial (tratando-se de filmar uma ópera), os cenários, a cor da fotografia, o trabalho dos actores (ouvimos uma gravação por cantores profissionais, mas vemos actores que, embora também tendo cantado nas filmagens - o grau de detalhe com que Syberberg filma as expressões faciais, durante o canto, é verdadeiramente extraordinário -, são dobrados), a mobilidade hiptónica da câmara conferem ao filme uma força incrível. As pouco mais de 10 pessoas que assistiram a este filme no passado Domingo nem sentiram pelas quatro horas a passar... (não houve intervalo, de resto)

Mais informações aqui e aqui.

Dois pequenos excertos (pequenos por comparação com a duração da ópera...):


do Prelúdio:




do Segundo Acto:




Daniel.

Ciclo de Piano da Casa da Música

Decorre até Dezembro o ciclo de Piano da Casa da Música. Nicolai Lugansky, Olli Mustonen, Leif Ove Andsnes, Nina Schumann e Luís Magalhães, António Pinho Vargas, entre outros.
O programa detalhado em formato electrónico pode ser consultado aqui.