
Já
aqui falámos dos
Opeth, banda sueca de
death metal progressivo. Falemos agora do último álbum da banda (o nono), lançado em fins de Maio. Como os anteriores álbuns, «
Wathershed» não é um álbum revolucionário mas antes mais um pequeno passo em frente dos Opeth. O anterior - «Ghost Reveries» - era já um esforço impecável nos três registos predilectos da banda: o
death metal brutal, as deambulações progressivas
guitar-oriented e os momentos mais acústico-intimistas. Este novo registo constitui, ao longo das suas sete faixas, uma continuação lógica do anterior, mas aperfeiçoando e dando maior relevo ao terceiro registo ("os momentos mais acústico-intimistas"), muito para meu agrado.
O álbum inicia-se em tom acústico com «
Coil», trazendo a bela voz da cantora folk sueca
Nathalie Lorichs, num dueto melódico intimista. Como em qualquer álbum dos Opeth, a beleza é para se apreciar mas não por muito tempo, e tal acontece com a passagem para o segundo tema - «
Heir Apparent», a música mais pesada - com 9 minutos de death metal sombrio e gutural.
Depois da tempestade, vem a acalmia? Não. Vem antes «
The Lotus Eater», uma típica música de Opeth. Momentos mais
clean entrelaçados com alguns dos melhores momentos
metal que ouvi este ano, numa rapsódia rítmica intensa, num constante sobe-e-desce de intensidade, guturais intercalados com vocais mais acessíveis, bom trabalho de guitarra. A meio, um movimento prog de teclados não muito habituais no meio do
death metal...
«
Burden» traz-nos uma bela balada, fugindo dos cânones metaleiros e oferecendo um som acessível e lembrando alguns clássicos dos antigamentes, com extensos solos de guitarra e (pasme-se) o primeiro solo de teclas da história dos Opeth. E quem bem que ficam entrelaçados num jogo de emoções que não esperava ouvir vindo destes senhores!
Vamos a meio do álbum e encontramos finalmente o single de lançamento (
vide abaixo, em versão editada) «
Porcelain Heart». A escolha surpreendeu-me: primeiro, porque não tem guturais; segundo, porque é a música menos acessível de todo o álbum. Porquê? Porque é uma sucessão de dois momentos diferentes: o verso - acústico, sem bateria, baseado em guitarra clássica- e o refrão - eléctrico, a entrar em
fade in em vez de uma progressão mais natural - alicercado na repetição exaustiva de dois temas.
«
Hessian Peel» são 11 minutos predominantemente acústicos com alguns momentos de peso, fazendo lembrar as fórmulas dos primeiros álbuns, mas com um significativo acréscimo de qualidade. E assim chegamos ao último tema - «
Hex Omega», que não é mais que uma súmula da imagem sonora do álbum:
momentos intimistas com muita guitarra clássica (não acústica) e orquestração de teclados intercalados com os momentos eléctricos, onde um excelente trabalho de bateria e guitarra sustentam e impulsionam o nome da melhor banda de metal progressivo da actualidade.