quarta-feira, 30 de julho de 2008

O fim-de-semana da Folk

Chamem-lhe tradicional, folk, celta ou músicas do mundo... Este fim-de-semana está mais que preenchido com 3 festivais em simultâneo. Sinceramente, srs. programadores, e olharem para as datas uns dos outros? Concorrência desta era escusado... só fará com que todos tenham menos público do que poderiam e que muita gente tenha que deixar de ver um concerto para ver outro... Mas vamos ao que interessa, os festivais!

Festival Internacional das Culturas em Resistência Ollin Kan
Vila do Conde
De 31 de Julho a 2 de Agosto
Site

É a primeira edição em Portugal deste festival, com concertos gratuitos de artistas mexicanos, indianos, africanos, venezuelanos, franceses, espanhóis e portugueses.

Destaco o dia 2 com os Frei Fado d'el Rei no que deverá ser o seu último concerto (vão "parar").




Galaicofolia
Esposende
31 de Julho a 3 de Agosto
Site

Num misto de Feira Medieval e festival folk encontramos as habituais recriações históricas, artesanato, gastronomia, etc. Nos dias 1, 2 e 3 há concertos de artistas nacionais e internacionais.

Destaco o dia 2, exclusivamente nacional, com os Arrefole (Porto) e os reputados Gaiteiros de Lisboa.



Intercéltico de Sendim

Sendim
1 a 3 de Agosto
Site

Um clássico dos festivais folk portugueses chega à sua 9ª edição com um cartaz coeso e com a qualidade a que este festival já habitou o seu público.

Destaco o dia 1, com uma noite fortíssima com os Ginga (Coimbra), Skanda (Astúrias) e os deuses da Galiza Luar na Lubre. (como tenho pena de não os ir ver...)
O dia 2 traz-nos os conhecidos escoceses Shooglenifty.


Depois de um fim-de-semana destes ainda temos a começar dia 4 o Andanças com muitas actuações e animação até dia 10 em Carvalhais (S. Pedro do Sul).

O Verão folk promete!

Novidades do Bandido

O Bandido fugiu depressa e a 1ª edição há muito que esgotou. Boas notícias porém com o lançamento de nova edição. Mas já vamos lá. Novidades:

i) Estão em exposição na Cooperativa Cultural Gesto as páginas e montagens e desenhos originais do livro que acompanha o FFB. A exposição acaba já amanhã e todos os artigos expostos estão para venda!

ii) O Manel Cruz foi entrevistado no Prova Oral do Fernando Alvim. Uma boa entrevista onde se falou sobre o FFB mas também Ornatos, Pluto, Supernada. Concertos do FFB no horizonte assim como a conclusão do ainda inacabado álbum dos Supernada. Podem ouvir o programa aqui.

iii) E foi anunciada para hoje a 2ª edição do FFB! Com novo dispositivo de fixação dos discos, lombada do livro em cor diferente e rectificação de textos numa das páginas. Podem encomendar aqui.

Metallica - últimas novidades

i - Foi confirmado pela banda que o álbum sai em Setembro. Pelas interwebs já vi a data de 10, 12, 30... Espera-se confirmação oficial.

ii - O alinhamento já foi revelado e é o que se segue:

01. That Was Just Your Life
02. The End Of The Line
03. Broken, Beat & Scarred
04. The Day That Never Comes
05. All Nightmare Long
06. Cyanide
07. The Unforgiven III
08. The Judas Kiss
09. Suicide & Redemption
10. My Apocalypse

iii - Vão dar dois concertos de apresentação do álbum: dia 12 de Setembro em Berlim e 15 em Londres com bilhetes acessíveis apenas aos membros do MetClub e Mission: Metallica.

terça-feira, 29 de julho de 2008

O regresso do HARD CLUB - detalhes

(detalhes avulsos encontrados em jornais e pela internet)

«
O projecto contempla:
- Uma sala de concertos para 1000 pessoas
- Um auditório com capacidade para 150 pessoas sentadas ou 300 de pé
- Um palco para actuações acústicas
- Um café/restaurante no primeiro piso
- Uma loja de merchandising e uma livraria/discoteca
- Uma esplanada exterior
- Dois estúdios para captar audio/vídeo dos concertos
- Internet wireless gratuita


O projecto é assinado pelo arquitecto Francisco Aires Mateus. A proposta do novo espaço na cidade do Porto apresenta uma programação dirigida a públicos diversos e é vocacionada para a produção de eventos, não só musicais, mas também ligados às artes cénicas, plásticas e ao cinema.

Programas infantis e familiares ao preço de um euro são outro dos elementos da proposta.

O projecto para o novo Hard Club pressupõe o restauro total do edifício original, sem modificar o aspecto deste. “Não vai existir nenhum símbolo do Hard Club de fora do Mercado”.

Três blocos independentes, “pousados” dentro do edifício sem tocar nas paredes, vão ter as várias divisões do novo Hard Club.

O espaço vai funcionar das 9h às 24h, diariamente, com prolongamento até às 2h, em concertos durante a semana, e até às 4h às sextas e sábados.


Com o voto contra do BE e as abstenções da CDU e do PS, a proposta foi aprovada pela maioria PSD/CDS.

A sociedade ficará com a exploração do imóvel classificado durante 17 anos.

A sociedade fixou a data de 18 de Setembro do próximo ano para a entrada em funcionamento.

Os 17 anos de exploração vão custar 510 mil euros ao Hard Club, que pagará uma renda mensal de 2500 euros. "Tal valor de contrapartida poderia ser superior" , pois o investimento global de 2,91 milhões de euros "é amortizável em 10 anos", argumenta a comissão. O Município terá o direito a usar, gratuitamente, a sala maior por 120 horas semanais, o auditório por 20 horas semanais e a sala pequena por 10 horas semanais. No entanto, terá de reservá-los com 90 dias de antecedência.
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O regresso do HARD CLUB

Óptima notícia:

«Foi aprovada pelo Executivo da Câmara Municipal do Porto a proposta do HARD CLUB de concepção, projecto, construção, manutenção e exploração do Mercado Ferreira Borges.»

in site do Hard Club

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Ouvir música na internet - guia rápido

Há cada vez mais soluções para ouvir música na internet... Segue-se um guia rápido para algumas maneiras de encontrarem aquela música que já não ouvem há tanto tempo ou conhecerem aquela banda manhosa que vai abrir o concerto da vossa banda favorita cá no burgo ou até de ouvirem música genericamente.

Nos primórdios da internet havia duas maneiras: a legal - ir ao site oficial da banda e ouvir uns míseros 30s de algumas músicas - e a ilegal - os programas de P2P (Napster, AudioGalaxy, Kazaaa, imesh, eMule, ...). Mais recentemente cada banda passou a ter Myspace ou outro espaço do género (como o Palco Principal para as bandas de garagem portuguesas) onde podemos ouvir meia dúzia de músicas inteiras. Repositórios temáticos de bandas são também uma boa fonte para quem gosta de um estilo específico.

No campo do "apetece-me ouvir música de uma forma genérica" (acho que nunca niguém deve ter proferido esta frase na sua cabeça) encontramos as webradios - fenómeno já "antigo" - ou os podcasts (emissões temáticas que se encontram pela web fora em blogs e afins). Neste último caso, o RSS é bastante nosso amigo, avisando-nos dos novos programas.

Mas... e falarmos de coisas que nem toda a gente conhece? Alguns podem já ter ouvido falar do Pandora, onde se constroem "rádios" pessoais a partir de uma banda ou música e do constante aperfeiçoamento à medida que (des)aprovamos as músicas que nos são sugeridos. Fruto de um complexo trabalho de catalogação de músicas e de bons algoritmos o resultado era bastante interessante, permitindo conhecer outras bandas que teríamos hipoteticamente maior propensão a gostar. Actualmente, só se pode ouvir nos EUA... leis.

O Musicovery permite-nos ouvir música por género musical, década e humor (mais enérgico/calmo, "positivo"/dark) ao mesmo tempo que apresenta as músicas relacionadas por um grafo, através do qual podemos navegar. Pessoalmente nunca gostei muito deste site. A início parecia muito bom, dada a interface, mas a biblioteca musical era bastante limitada e crashava.

Bom para estar a par das novas tendências é o The Hype Machine, que analisa as discussões de música em blogs permitindo-nos ouvir as músicas em causa. Quem não estiver interessado nas reviews pode só pesquisar por música/artista e ouvir todos os resultados num player.

O Jogli - ainda em versão beta - afirma ter indexadas 12 milhões de canções, a maior parte das quais em formato "vídeo do YouTube". O registo permite criar playlists e perfis diferenciando-se assim do acto banal e básico de ouvir música no youtube.

Finalmente, o que eu considero a melhor solução: Grooveshark. Podia estar aqui a explicar o modelo do sistema com a partilha das músicas e a análise dos melhores utilizadores para resultados mais precisos, mas isso merecia um artigo inteiro e o que nos interessa agora é o lado do ouvinte. Pois bem, do lado deste não há nada mais fácil. Escrevam o que querem ouvir e uma intuitiva interface vai permitir-vos descobrir o álbum ou música que querem, podendo construir a vossa playlist com vários items.

(O fenómeno do muxtape já foi falado noutro post).

Parece que o guia rápido acabou por se revelar longo e não entrámos em pormenores... na verdade, foi apenas um apresentar de algumas das muitas maneiras de ouvir e conhecer música na web. Vá, apresentem as que conhecem e as que preferem.

sábado, 26 de julho de 2008

KM0 - um programa de música portuguesa

«Quilómetro Zero» é o nome de uma série documental apresentada e produzida por J.P. Simões que vai em busca das bandas "de garagem" deste nosso país, directamente aos sítios onde ensaiam e ouvindo as suas músicas, pensamentos e expectativas. Uma excelente iniciativa e que deixou bastante curioso para ver.

«O KM0 entra dentro de garagens improvisadas, estúdios mais ou menos insonorizados, armazéns, apartamentos pessoais e até mesmo cafés de bairro, monta um estúdio de som profissional, grava ao vivo um tema integral de cada banda, entrevista os músicos sobre criação e edição em Portugal, e faz-se novamente à estrada.»

14 programas de 25 minutos
39 bandas e 159 músicos
23 cidades e 12 mil quilómetros de estrada
130 horas de filmagens


Estreia hoje, às 19h30, na RTP2.



Bandas:
Man & Bellas, The Guys From the Caravan, Anaquim, Peixe : Avião, Smix Smox Smux, Monstro Mau, La La La Ressonance, Nikouala, Gnomon, MadMan Underground, The Clits, Canal 0, Kromo di Ghuetto, Zieben, Kumpania Algazarra, Carlos Peninha, Fadomorse, Montecalvo 146, Peltzer, Waste Disposal Machine, U-Clic, Stowaways, Cenáculo, PZ, Gueixa, Cacique 97, München, Dr.Estranho Amor, Projecto Fuga, Oxalá, João Frade, JazzTaParta, Nanook, 2008, The Weatherman, Mimical Kix, Norberto Lobo, Lobster e Mikado Lab.

Blog do programa

segunda-feira, 21 de julho de 2008

The Pros and Cons of Hitch Hiking


Poucos álbuns me marcaram tão profundamente como The Pros and Cons of Hitch Hiking, de Roger Waters, uma viagem delirante pelos confins da mente humana sob a forma de uma sequência de sonhos, que resulta, obviamente, numa paisagem sonora e conceptual extremamente rica e diversa.

Segundo os rumores, consta que Roger Waters terá apresentado, por volta de 1978, aos outros membros dos Pink Floyd dois esboços diferentes para o futuro álbum da banda, que continham (e isto agora sou eu a dizer) uma base similar, i. e., a análise da complexidade das relações humanas, sendo a diferença de perspectiva: uma era sobretudo externa, centrada na posição dos outros perante nós e na nossa reacção, e outra subjectiva e interna, focando os dilemas pessoais e as suas manifestações. Como os mais atentos já repararam, estou obviamente a falar de The Wall e The Pros and Cons of Hitch Hiking, respectivamente. Como aprendemos nas aulas de História (hum? Não aprendemos? Mas devíamos... Que é da II GG comparada com isto? Pff...) a banda escolheu a primeira opção , e o senhor Rogério Águas manteve o outro projecto em águas (ahah) de bacalhau, tornando-o no seu primeiro álbum a solo, em 1984. Para isso convidou nomes como Eric Clapton (guitarras), Michael Kamen (piano, orquestração e direcção, produção) e David Sanborn (sax), tornando o projecto quase num supergrupo, mas também, e não tão menos importantes, Ray Cooper e Andy Newmark (percussão), Andy Bown (Hammond e guitarra) e Madeline Bell, Katie Kissoon e Doreen Chanter (coro).

A viagem começa às 4:30 (da manhã pois claro) e segue em tempo real até às 5:13, aproximadamente, passando por momentos tão diferentes como um ataque de árabes armados na sua própria casa¹, uma boleia carregada de tensão sexual a uma jovem na Europa, um pedido de boleia numa auto-estrada perdida nos Estados Unidos, uma garrafa de vinho partilhada com alemães, entre muitos outros. O fio condutor do álbum é notável, e dá um sentido de coesão a momentos tão distintos e sem ligação aparente. Chama-se categoria. A track list é como segue:

1. 4.30 Am (Apparently They Were Travelling Abroad)
2. 4.33 Am (Running Shoes)
3. 4.37 Am (Arabs With Knives and West German Skies)
4. 4.39 Am (For the First Time Today, Pt. 2)
5. 4.41 Am (Sexual Revolution) (Waters)
6. 4.47 Am (The Remains of Our Love)
7. 4.50 Am (Go Fishing) (Waters)
8. 4.56 Am (For the First Time Today, Pt. 1)
9. 4.58 Am (Dunroamin, Duncarin, Dunlivin)
10. 5.01 Am (The Pros and Cons of Hitch Hiking...)
11. 5.06 Am (Every Strangers Eyes)
12. 5.11 Am (The Moment of Clarity)

Pelo que já foi dito, mas principalmente pelo que é impossível dizer, porque nunca lhe conseguiria fazer justiça, pelo que deixo o resto ao vosso cuidado e atenção, este é um álbum verdadeiramente incontornável, assim como uma experiência enriquecedora, em que acabamos a partilhar com o protagonista o "Moment of Clarity". Se fosse o professor Marcelo, dava 20 valores.

Aqui fica o vídeo original da Every Strangers Eyes, momento de epifania, e o link para uma review feita por mim em 2004.




¹ A propósito do episódio arabesco, e recordando episódios recentes da história britânica e londrina, aqui fica um excerto profético da letra:

"(...)
I opened my eyes and to my surprise
There were Arabs with knives at the front of the bed
Right at the front of the bed

Oh my God, how did they get in here
I thought we were safe home in England
She said, come on now kid, it was wrong what you did
You've got to admit it was wrong what you did
You've got to admit it was wrong
[Jade:] "Oh god....Jesus..."

sábado, 19 de julho de 2008

Reich e Daniel

Dia 1 de Fevereiro de 2002. Karachi, Paquistão. Daniel Pearl, jornalista americano de origem judaica, encontra-se sequestrado há pouco mais de uma semana por um grupo fundamentalista. Esse grupo fizera uma série de exigências ao Governo Americano. São recusadas. Daniel é assassinado nesse dia.

Comoção generalizada. Desde então, escrevem-se inúmeros livros, fazem-se inúmeros documentários, é criada a Fundação Daniel Pearl, faz-se pelo menos um filme sobre o assunto.

Em 2006, Steve Reich compõe Daniel Variations, em memória do jornalista assassinado. A peça é enquadrada numa encomenda conjunta de várias instituições, entre as quais se inclui a Casa da Música. Tivémos assim oportunidade de assistir no final de 2006 à sua estreia nacional, num dos melhores concertos a que já assisti.

Serve então este post para divulgar a saída da obra em cd, numa gravação absolutamente fabulosa que aconselho todos a comprar.


É certamente uma das melhores peças de Reich. Certamente a mais comovente. Pelo assunto que subjaz mas sobretudo pela própria música. Ainda que o tom esteja muito distante de um Requiem ou uma lamentação, a música tem um certo carácter contemplativo que provoca uma emoção muito contida, tão mais forte quanto evita uma espectacularidade mais fácil. As vozes são especialmente extraordinárias.

A peça usa textos do próprio Daniel Pearl - em particular o já célebre My name is Daniel Pearl, frase que pronunciou no vídeo gravado pelos fundamentalistas e difundido em todo o mundo - e textos do Livro de Daniel, do Antigo Testamento. Diz Reich que as palavras aí pronunciadas pelo Rei Nabucodonosor espelham bem o estado caótico, incerto, assustador do mundo actual; esse texto é usado no primeiro andamento da obra:

"I saw a dream. Images upon my bed & visions in my head frightened me."

Podem ser ouvidos excertos aqui.

Daniel

Radiohead e o vídeo sem câmaras

O vídeo para o último single dos Radiohead - «House of Cards» - foi filmado sem câmaras! Como, perguntam vocês? A partir do cruzamento de duas tecnologias:

«The Geometric Informatics scanning system employs structured light to capture detailed 3D images at close proximity, and was used to render the performances of Radiohead’s Thom Yorke, the female lead and several partygoers.
The Velodyne Lidar system uses multiple lasers to capture large environments in 3D, in this case 64 lasers rotating and shooting in a 360 degree radius 900 times per minute, capturing all of the exterior scenes and wide party shots.»

Os dados resultantes do vídeo foram disponibilizados para que qualquer um possa fazer as suas experiências.

Menos conversa, vejam com os vossos olhos:



Podem encontrar um making of, mais explicações técnicas, o código e até um simulador para brincarem em code.google.com/radiohead.