terça-feira, 29 de julho de 2008

O regresso do HARD CLUB

Óptima notícia:

«Foi aprovada pelo Executivo da Câmara Municipal do Porto a proposta do HARD CLUB de concepção, projecto, construção, manutenção e exploração do Mercado Ferreira Borges.»

in site do Hard Club

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Ouvir música na internet - guia rápido

Há cada vez mais soluções para ouvir música na internet... Segue-se um guia rápido para algumas maneiras de encontrarem aquela música que já não ouvem há tanto tempo ou conhecerem aquela banda manhosa que vai abrir o concerto da vossa banda favorita cá no burgo ou até de ouvirem música genericamente.

Nos primórdios da internet havia duas maneiras: a legal - ir ao site oficial da banda e ouvir uns míseros 30s de algumas músicas - e a ilegal - os programas de P2P (Napster, AudioGalaxy, Kazaaa, imesh, eMule, ...). Mais recentemente cada banda passou a ter Myspace ou outro espaço do género (como o Palco Principal para as bandas de garagem portuguesas) onde podemos ouvir meia dúzia de músicas inteiras. Repositórios temáticos de bandas são também uma boa fonte para quem gosta de um estilo específico.

No campo do "apetece-me ouvir música de uma forma genérica" (acho que nunca niguém deve ter proferido esta frase na sua cabeça) encontramos as webradios - fenómeno já "antigo" - ou os podcasts (emissões temáticas que se encontram pela web fora em blogs e afins). Neste último caso, o RSS é bastante nosso amigo, avisando-nos dos novos programas.

Mas... e falarmos de coisas que nem toda a gente conhece? Alguns podem já ter ouvido falar do Pandora, onde se constroem "rádios" pessoais a partir de uma banda ou música e do constante aperfeiçoamento à medida que (des)aprovamos as músicas que nos são sugeridos. Fruto de um complexo trabalho de catalogação de músicas e de bons algoritmos o resultado era bastante interessante, permitindo conhecer outras bandas que teríamos hipoteticamente maior propensão a gostar. Actualmente, só se pode ouvir nos EUA... leis.

O Musicovery permite-nos ouvir música por género musical, década e humor (mais enérgico/calmo, "positivo"/dark) ao mesmo tempo que apresenta as músicas relacionadas por um grafo, através do qual podemos navegar. Pessoalmente nunca gostei muito deste site. A início parecia muito bom, dada a interface, mas a biblioteca musical era bastante limitada e crashava.

Bom para estar a par das novas tendências é o The Hype Machine, que analisa as discussões de música em blogs permitindo-nos ouvir as músicas em causa. Quem não estiver interessado nas reviews pode só pesquisar por música/artista e ouvir todos os resultados num player.

O Jogli - ainda em versão beta - afirma ter indexadas 12 milhões de canções, a maior parte das quais em formato "vídeo do YouTube". O registo permite criar playlists e perfis diferenciando-se assim do acto banal e básico de ouvir música no youtube.

Finalmente, o que eu considero a melhor solução: Grooveshark. Podia estar aqui a explicar o modelo do sistema com a partilha das músicas e a análise dos melhores utilizadores para resultados mais precisos, mas isso merecia um artigo inteiro e o que nos interessa agora é o lado do ouvinte. Pois bem, do lado deste não há nada mais fácil. Escrevam o que querem ouvir e uma intuitiva interface vai permitir-vos descobrir o álbum ou música que querem, podendo construir a vossa playlist com vários items.

(O fenómeno do muxtape já foi falado noutro post).

Parece que o guia rápido acabou por se revelar longo e não entrámos em pormenores... na verdade, foi apenas um apresentar de algumas das muitas maneiras de ouvir e conhecer música na web. Vá, apresentem as que conhecem e as que preferem.

sábado, 26 de julho de 2008

KM0 - um programa de música portuguesa

«Quilómetro Zero» é o nome de uma série documental apresentada e produzida por J.P. Simões que vai em busca das bandas "de garagem" deste nosso país, directamente aos sítios onde ensaiam e ouvindo as suas músicas, pensamentos e expectativas. Uma excelente iniciativa e que deixou bastante curioso para ver.

«O KM0 entra dentro de garagens improvisadas, estúdios mais ou menos insonorizados, armazéns, apartamentos pessoais e até mesmo cafés de bairro, monta um estúdio de som profissional, grava ao vivo um tema integral de cada banda, entrevista os músicos sobre criação e edição em Portugal, e faz-se novamente à estrada.»

14 programas de 25 minutos
39 bandas e 159 músicos
23 cidades e 12 mil quilómetros de estrada
130 horas de filmagens


Estreia hoje, às 19h30, na RTP2.



Bandas:
Man & Bellas, The Guys From the Caravan, Anaquim, Peixe : Avião, Smix Smox Smux, Monstro Mau, La La La Ressonance, Nikouala, Gnomon, MadMan Underground, The Clits, Canal 0, Kromo di Ghuetto, Zieben, Kumpania Algazarra, Carlos Peninha, Fadomorse, Montecalvo 146, Peltzer, Waste Disposal Machine, U-Clic, Stowaways, Cenáculo, PZ, Gueixa, Cacique 97, München, Dr.Estranho Amor, Projecto Fuga, Oxalá, João Frade, JazzTaParta, Nanook, 2008, The Weatherman, Mimical Kix, Norberto Lobo, Lobster e Mikado Lab.

Blog do programa

segunda-feira, 21 de julho de 2008

The Pros and Cons of Hitch Hiking


Poucos álbuns me marcaram tão profundamente como The Pros and Cons of Hitch Hiking, de Roger Waters, uma viagem delirante pelos confins da mente humana sob a forma de uma sequência de sonhos, que resulta, obviamente, numa paisagem sonora e conceptual extremamente rica e diversa.

Segundo os rumores, consta que Roger Waters terá apresentado, por volta de 1978, aos outros membros dos Pink Floyd dois esboços diferentes para o futuro álbum da banda, que continham (e isto agora sou eu a dizer) uma base similar, i. e., a análise da complexidade das relações humanas, sendo a diferença de perspectiva: uma era sobretudo externa, centrada na posição dos outros perante nós e na nossa reacção, e outra subjectiva e interna, focando os dilemas pessoais e as suas manifestações. Como os mais atentos já repararam, estou obviamente a falar de The Wall e The Pros and Cons of Hitch Hiking, respectivamente. Como aprendemos nas aulas de História (hum? Não aprendemos? Mas devíamos... Que é da II GG comparada com isto? Pff...) a banda escolheu a primeira opção , e o senhor Rogério Águas manteve o outro projecto em águas (ahah) de bacalhau, tornando-o no seu primeiro álbum a solo, em 1984. Para isso convidou nomes como Eric Clapton (guitarras), Michael Kamen (piano, orquestração e direcção, produção) e David Sanborn (sax), tornando o projecto quase num supergrupo, mas também, e não tão menos importantes, Ray Cooper e Andy Newmark (percussão), Andy Bown (Hammond e guitarra) e Madeline Bell, Katie Kissoon e Doreen Chanter (coro).

A viagem começa às 4:30 (da manhã pois claro) e segue em tempo real até às 5:13, aproximadamente, passando por momentos tão diferentes como um ataque de árabes armados na sua própria casa¹, uma boleia carregada de tensão sexual a uma jovem na Europa, um pedido de boleia numa auto-estrada perdida nos Estados Unidos, uma garrafa de vinho partilhada com alemães, entre muitos outros. O fio condutor do álbum é notável, e dá um sentido de coesão a momentos tão distintos e sem ligação aparente. Chama-se categoria. A track list é como segue:

1. 4.30 Am (Apparently They Were Travelling Abroad)
2. 4.33 Am (Running Shoes)
3. 4.37 Am (Arabs With Knives and West German Skies)
4. 4.39 Am (For the First Time Today, Pt. 2)
5. 4.41 Am (Sexual Revolution) (Waters)
6. 4.47 Am (The Remains of Our Love)
7. 4.50 Am (Go Fishing) (Waters)
8. 4.56 Am (For the First Time Today, Pt. 1)
9. 4.58 Am (Dunroamin, Duncarin, Dunlivin)
10. 5.01 Am (The Pros and Cons of Hitch Hiking...)
11. 5.06 Am (Every Strangers Eyes)
12. 5.11 Am (The Moment of Clarity)

Pelo que já foi dito, mas principalmente pelo que é impossível dizer, porque nunca lhe conseguiria fazer justiça, pelo que deixo o resto ao vosso cuidado e atenção, este é um álbum verdadeiramente incontornável, assim como uma experiência enriquecedora, em que acabamos a partilhar com o protagonista o "Moment of Clarity". Se fosse o professor Marcelo, dava 20 valores.

Aqui fica o vídeo original da Every Strangers Eyes, momento de epifania, e o link para uma review feita por mim em 2004.




¹ A propósito do episódio arabesco, e recordando episódios recentes da história britânica e londrina, aqui fica um excerto profético da letra:

"(...)
I opened my eyes and to my surprise
There were Arabs with knives at the front of the bed
Right at the front of the bed

Oh my God, how did they get in here
I thought we were safe home in England
She said, come on now kid, it was wrong what you did
You've got to admit it was wrong what you did
You've got to admit it was wrong
[Jade:] "Oh god....Jesus..."

sábado, 19 de julho de 2008

Reich e Daniel

Dia 1 de Fevereiro de 2002. Karachi, Paquistão. Daniel Pearl, jornalista americano de origem judaica, encontra-se sequestrado há pouco mais de uma semana por um grupo fundamentalista. Esse grupo fizera uma série de exigências ao Governo Americano. São recusadas. Daniel é assassinado nesse dia.

Comoção generalizada. Desde então, escrevem-se inúmeros livros, fazem-se inúmeros documentários, é criada a Fundação Daniel Pearl, faz-se pelo menos um filme sobre o assunto.

Em 2006, Steve Reich compõe Daniel Variations, em memória do jornalista assassinado. A peça é enquadrada numa encomenda conjunta de várias instituições, entre as quais se inclui a Casa da Música. Tivémos assim oportunidade de assistir no final de 2006 à sua estreia nacional, num dos melhores concertos a que já assisti.

Serve então este post para divulgar a saída da obra em cd, numa gravação absolutamente fabulosa que aconselho todos a comprar.


É certamente uma das melhores peças de Reich. Certamente a mais comovente. Pelo assunto que subjaz mas sobretudo pela própria música. Ainda que o tom esteja muito distante de um Requiem ou uma lamentação, a música tem um certo carácter contemplativo que provoca uma emoção muito contida, tão mais forte quanto evita uma espectacularidade mais fácil. As vozes são especialmente extraordinárias.

A peça usa textos do próprio Daniel Pearl - em particular o já célebre My name is Daniel Pearl, frase que pronunciou no vídeo gravado pelos fundamentalistas e difundido em todo o mundo - e textos do Livro de Daniel, do Antigo Testamento. Diz Reich que as palavras aí pronunciadas pelo Rei Nabucodonosor espelham bem o estado caótico, incerto, assustador do mundo actual; esse texto é usado no primeiro andamento da obra:

"I saw a dream. Images upon my bed & visions in my head frightened me."

Podem ser ouvidos excertos aqui.

Daniel

Radiohead e o vídeo sem câmaras

O vídeo para o último single dos Radiohead - «House of Cards» - foi filmado sem câmaras! Como, perguntam vocês? A partir do cruzamento de duas tecnologias:

«The Geometric Informatics scanning system employs structured light to capture detailed 3D images at close proximity, and was used to render the performances of Radiohead’s Thom Yorke, the female lead and several partygoers.
The Velodyne Lidar system uses multiple lasers to capture large environments in 3D, in this case 64 lasers rotating and shooting in a 360 degree radius 900 times per minute, capturing all of the exterior scenes and wide party shots.»

Os dados resultantes do vídeo foram disponibilizados para que qualquer um possa fazer as suas experiências.

Menos conversa, vejam com os vossos olhos:



Podem encontrar um making of, mais explicações técnicas, o código e até um simulador para brincarem em code.google.com/radiohead.

A Lei, a Escola, e a Criatividade

Apostando na variedade deste blog, trago-vos hoje um tema diferente.

Já ouviram falar nas TED talks? Todos os anos, juntam-se em conferência pessoas de três áreas diferentes (Technology, Entertainment, Design) para partilhar o seu conhecimento, em palestras com não mais que 20 minutos. Bono, Al Gore, Bill Clinton, são algumas das personalidades que já falaram nessas conferências, que podem incluir temas que vão até à política, ou simples performances de música e comédia.

As melhores, são colocadas à disposição do público no site deles. Aconselho quem tiver tempo livre a dar uma vista de olhos.

Falando agora do tema do post em si, encontrei duas palestras muito interessantes. Não são performances como os meus amigos músicos poderiam pensar. São palestras mesmo, que falam sobre a criatividade na nossa sociedade:

Na primeira, Larry Lessig (advogado) fala dos direitos de copyright e porque é que a lei está a matar a criatividade.

Na segunda, Ken Robinson (antigo professor universitário) diz porque é que acha que a escola está a matar a criatividade, sempre com o seu humor britânico presente.

Pressa no Colbert

Do programa do grande (e polémico) Stephen Colbert vem uma pérola. Sem mais comentários:

Metallica - novidades magnéticas

1º - Rumores apontam a data de lançamento para dia 22 de Setembro.

2º - Uma edição especial do álbum vai ser vendida com uma embalagem na forma de um caixão. Esta edição trará, além do álbum, um cd com demos das músicas (no St. Anger era o próprio álbum que era um cd de demos...), um DVD com making-of (mais do que o que pode já ser visto em http://missionmetallica.com), um t-shirt exclusiva, uma bandeira, palhetas, um poster, e um «collector's credit card embossed with a code to redeem a free download of a special European show happening in September».

3º - Numa iniciativa totalmente inédita vai ser possível fazer o download de todas as músicas do álbum (no dia em que o álbum for lançado) para o Guitar Hero III.

4º - Last but not least, a capa do álbum viu a luz do dia! E que bonita que a acho. O meu lado da Física apaixonou-se pelo conceito de uma caixão formado pela acção magnética na limalha de ferro e fez com que desculpasse o que até agora parecia um nome piroso. Ora vejam:

sexta-feira, 18 de julho de 2008

40 anos d'O Flautista às Portas da Alvorada

Há dias encontrei cá em casa um livro da minha infância, em inglês e profusamente ilustrado (bem bonito por sinal) intitulado «The Wind in The Willows» (um clássico da literatura infantil). Ao passear por entre as suas páginas cheguei ao sétimo capítulo intitulado «The Piper at the Gates of Dawn», o que me deu o empurrão para fazer um crítica não ao álbum mas à edição comemorativa do 40º aniversário, com que fui presenteado recentemente.

Para os que não sabem, falo do álbum de estreia dos Pink Floyd, de 1967, com a mão de Syd Barrett e um marco incontestável na história do rock ao exercer uma enorme influência no movimento psicadélico da altura e estendendo os seus tentáculos até aos dias de hoje. A temática fantástico-infantil e o experimentalismo sónico apanharam o mundo do rock desprevenido e apesar desses elementos se diluírem ao longo da carreira dos Floyd não deixam de ter sido uma daquelas bandas que pode afirmar que conseguiu empurrar as fronteiras para um pouco mais longe.

Para marcar o 40º aniversário foi lançada uma edição especial comemorativa. O exterior - da autoria do inevitável Storm Thorgerson - é bonito, numa capa dura tipo pano, bordeaux com letras douradas. O interior também, em forma de livro, com um livrete a cores com várias fotografias e as letras. Como bónus, uma reprodução de um livrete de 1965 da autoria do próprio Syd Barrett. Apesar de tudo, esperava duma edição de aniversário algo mais que as letras e fotos... talvez uma nota biográfica ou opiniões dos membros.

No que toca à música temos 3 CD's! Os primeiros dois dizem respeito ao álbum em si, remasterizados por James Guthrie (The Wall), em versão Mono e Stereo. Escusado será dizer que prefiro claramente a versão stereo. Na verdade, só ouvi a versão mono uma vez e não me parece que volte a pegar no cd muitas mais vezes quando ao lado tenho o cd com o mesmo álbum mas com todas as potencialidades do mix stereo original. [nota histórica: a versão stereo do LP foi lançada um mês depois da versão mono]

O terceiro CD é que traz as verdadeiras novidades. Começando por apresentar alguns early singles - Arnold Layne, Candy and a Currant Bun, See Emily Play, Apples and Oranges, Paintbox (que bela que é esta música!) - seguem-se as faixas "novas".

Citando a wikipedia: «Other tracks are a rare mix of "Interstellar Overdrive" - Take 2 of the original recording sessions, the pre-overdubbed abridged mix previously only available on an EP in France - and the 1967 stereo version of "Apples and Oranges". Plus an alternative "Matilda Mother" (from the first session for the album mentioned in the 33 1/3 book on Piper). (At their first EMI session in February '67, Pink Floyd recorded a 4-minute version of Matilda that had different vocals compared to the album version). Plus another alternative Interstellar Overdrive (take 6). (On 3/16/67 Pink Floyd recorded four additional takes of IO. Each was reported to be about 5 minutes long, save for one false start.)»

Conclusão: esta edição será mais compensatória para os fãs coleccionistas principalmente se já tiverem o álbum original e o álbum «The Early Singles» (que além das músicas supracitadas tem ainda pérolas como Julia Dream, entre outras). Quem tiver estes dois álbuns apenas encontrará nesta edição as 4 versões alternativas e um packaging mais atraente. Não deixa, no entanto, de ser uma bora compra e uma bela peça de colecção para quem não tiver os álbuns referidos.