Quem lê esta mesma página, deste mesmo blog, percebe facilmente a importância que o youtube tem na música: quase todos os posts têm videos!
De facto, a importância do site é mais que óbvia na internet de hoje. Quem já não passou horas no youtube a relembrar os videos da sua banda favorita, a ver os sketches do Gato Fedorento ou Monty Python ou a relembrar a Rua Sésamo?
No meio disso tudo, como qualquer forma de comunicação, também este serviço tem a capacidade de mudar as nossas vidas. De seguida vão três vídeos que vi no youtube e que mudaram a minha maneira de ver a música, acompanhados de uma explicação:
Houve uma altura da minha vida em que só ouvia punk-rock. Depois entrei para a faculdade e comecei a ouvir outras coisas, os gostos foram-se alargando, e, de certa forma, acabei por renegar essa parte do meu passado. Este vídeo não é de uma banda punk no estilo musical mas é de uma banda punk na atitude. De certa forma reconciliou-me com esse meu passado esquecido (que frase maricas):
The MC5 - Ramblin' Rose
A pérola seguinte é um vídeo que já vi centenas de vezes no youtube. E não cansa. Gene Krupa mostra que não é preciso ser "O MAIOR BATERISTA DE TODOS OS TEMPOS (todos os direitos reservados)" para dar chocolate! Acho que nunca vi ninguém a curtir tanto aquilo que está a tocar.
Gene Krupa having a good time
E o último vídeo é... A melhor actuação de sempre do melhor guitarrista de sempre:
Jimi Hendrix - Wild Thing Live @ Monterrey
quinta-feira, 19 de junho de 2008
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Bom dia! com Turangalîla (Messiaen)
Para acordar cheio da pica!! "Joy of the Blood of the Stars" , o quinto andamento desta sinfonia.
Que, por sinal, temos MEESMO que falar, já que é das obras orquestrais mais impressionantes!
(para os desconhecedores, aquele «sintetizador marado» são as ondas martenot, que era, imagine-se, o instrumento favorito de Messiaen =P
Bernardo.
terça-feira, 17 de junho de 2008
Tributo a (dois) mestres
Depois do textinho sobre o Tarkovsky, aqui vai um brevíssimo post sobre outro grande realizador, o Michelangelo Antonioni - recentemente falecido, salvo erro no mesmo dia do Bergman (!) - com uma cena do magnífico filme Zabriskie Point. Deixo a cena porque funciona por si mesma, e fora do contexto do filme não será spoiler para ninguém. Espero é que seja um incentivo a que o vejam (se já não o viram). Passa regularmente no TCM. A magnífica música (a partir de um minuto e meio, mais ou menos), é dos nossos velhos amigos Pink Floyd. Espero que gostem!
Daniel
Daniel
Temas:
Cinema
UC Men's Octet
Estive a ler posts deste blog e, a propósito do Daniel ter falado do Coral de Letras, eu lembrei-me de algumas cenas que tinha visto no youtube com corais de universidades americanas.
Já de certeza todos viram o vídeo dos gajos a cantarem músicas da Nintendo a capella. Como este, há muitos grupos académicos nos US, alguns com piada, outros nem por isso. Continuei a pesquisa e descobri estes senhores:
UC Men's Octet de Berkley
Há montes de videos deles no youtube, covers a capella de músicas pop. Não posso postar todos senão isto ficava gigante, se gostarem procurem vocês.
Bohemian Rapsody
Stayin' Alive
Black Bird
Paperback Writer
Para além disto, ainda cantam Nirvana, Justin Timberlake, U2, Michael Jackson com mais ou menos potencial cómico. E fica a ideia para os corais das nossas faculdades: E que tal música pop? Era capaz de levar mais pessoas aos concertos ;)
Já de certeza todos viram o vídeo dos gajos a cantarem músicas da Nintendo a capella. Como este, há muitos grupos académicos nos US, alguns com piada, outros nem por isso. Continuei a pesquisa e descobri estes senhores:
UC Men's Octet de Berkley
Há montes de videos deles no youtube, covers a capella de músicas pop. Não posso postar todos senão isto ficava gigante, se gostarem procurem vocês.
Bohemian Rapsody
Stayin' Alive
Black Bird
Paperback Writer
Para além disto, ainda cantam Nirvana, Justin Timberlake, U2, Michael Jackson com mais ou menos potencial cómico. E fica a ideia para os corais das nossas faculdades: E que tal música pop? Era capaz de levar mais pessoas aos concertos ;)
Harpa Laser
De certeza já todos ouviram falar da Wii a nova consola da Nintendo. Tem um comando com sensor de movimento do qual faz um uso extremo, obtendo resultados fantásticos.
Quem se interessa por essas macacadas, também ja encontrou decerto diversos sites com usos alternativos para esse fantástico controlo remoto, que basicamente é melhor que o resto da consola.
Sendo este um blog sobre música, não me queria alongar muito neste campo, por isso vamos ao que interessa. O wiimote (o nome do controlo) é uma ferramenta fantástica, mas não especialmente pelo sensor de movimentos. Vem equipado com uma câmara de infravermelhos que mete no bolso a maioria das webcams e tem capacidade para comunicar por bluetooth, o que permite enviar os sinais para um pc, por exemplo.
Aqui vai um exemplo de um uso disso na música. Vejam primeiro e depois eu explico:
Esse senhor do vídeo está a atravessar os lasers com a sua mão. A grande concentração de luz nas mãos vai ser captada pelo wiimote (com um filtro para captar o laser em vez dos típicos infra-vermelhos) que envia o sinal ao computador. Um software lê esse input trata-o como o pressionar de uma tecla num teclado midi, tocando um sintetizador.
Agora gostava era de ver uma banda a utilizar isto em vez de um teclado. :D
Quem se interessa por essas macacadas, também ja encontrou decerto diversos sites com usos alternativos para esse fantástico controlo remoto, que basicamente é melhor que o resto da consola.
Sendo este um blog sobre música, não me queria alongar muito neste campo, por isso vamos ao que interessa. O wiimote (o nome do controlo) é uma ferramenta fantástica, mas não especialmente pelo sensor de movimentos. Vem equipado com uma câmara de infravermelhos que mete no bolso a maioria das webcams e tem capacidade para comunicar por bluetooth, o que permite enviar os sinais para um pc, por exemplo.
Aqui vai um exemplo de um uso disso na música. Vejam primeiro e depois eu explico:
Esse senhor do vídeo está a atravessar os lasers com a sua mão. A grande concentração de luz nas mãos vai ser captada pelo wiimote (com um filtro para captar o laser em vez dos típicos infra-vermelhos) que envia o sinal ao computador. Um software lê esse input trata-o como o pressionar de uma tecla num teclado midi, tocando um sintetizador.
Agora gostava era de ver uma banda a utilizar isto em vez de um teclado. :D
Temas:
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Vídeos
Panic At The Disco - Pretty. Odd.
Foi com bastante surpresa que no outro dia, em conversa com o Pedro, ele mencionou que os Panic! At The Disco (agora Panic At the Disco) lançaram um álbum interessante, com influências de Beatles e não sei mais o quê. Desculpa Pedro, não me lembro bem da conversa, mas o que é facto é que a curiosidade cresceu e decidi ouvir o álbum.

De facto, a ex banda emo-punk tem aqui um trabalho bastante diferente daquilo a que habituaram os seus fãs (para bem da humanidade). Influências de Beatles e Alice no País das Maravilhas a rodos (mesmo, até no vídeo, como vão poder comprovar).
O guitarrista Ryan Ross diz, nesta entrevista ao site ultimate-guitar.com, que o seu desejo é que os PATD sejam os próximos Radiohead. Salvações do rock aparte, até porque este registo não traz nada de novo ao rock em si, estamos na presença de um óptimo álbum pop: bem produzido, canções muito catchy, boas influências. Apesar do elevado número de faixas (15) não se pode dizer que existam fillers (músicas para encher chouriço, como em 99% dos álbuns com mais de 12 músicas) e quase todas as músicas têm capacidade de funcionar como single numa rádio perto de si.
Não estamos na presença de nada espectacular, como já disse, mas é um disco que me surpreendeu, até porque hoje em dia já quase não há pop decente. Aliás, a pop que há (boa ou má) é toda uma mistura de música electrónica com hiphop e/ou R&B, sendo que uma banda que ainda toca guitarras é uma lufada de ar fresco (paradoxalmente).
E aqui está o primeiro "hitsingler" da banda. Como passatempo adicional, tentem encontrar todas as referâncias aos fab-four!
É um óptimo álbum para uma tarde feliz e bem passada a fazer um piquenique :D

De facto, a ex banda emo-punk tem aqui um trabalho bastante diferente daquilo a que habituaram os seus fãs (para bem da humanidade). Influências de Beatles e Alice no País das Maravilhas a rodos (mesmo, até no vídeo, como vão poder comprovar).
O guitarrista Ryan Ross diz, nesta entrevista ao site ultimate-guitar.com, que o seu desejo é que os PATD sejam os próximos Radiohead. Salvações do rock aparte, até porque este registo não traz nada de novo ao rock em si, estamos na presença de um óptimo álbum pop: bem produzido, canções muito catchy, boas influências. Apesar do elevado número de faixas (15) não se pode dizer que existam fillers (músicas para encher chouriço, como em 99% dos álbuns com mais de 12 músicas) e quase todas as músicas têm capacidade de funcionar como single numa rádio perto de si.
Não estamos na presença de nada espectacular, como já disse, mas é um disco que me surpreendeu, até porque hoje em dia já quase não há pop decente. Aliás, a pop que há (boa ou má) é toda uma mistura de música electrónica com hiphop e/ou R&B, sendo que uma banda que ainda toca guitarras é uma lufada de ar fresco (paradoxalmente).
E aqui está o primeiro "hitsingler" da banda. Como passatempo adicional, tentem encontrar todas as referâncias aos fab-four!
É um óptimo álbum para uma tarde feliz e bem passada a fazer um piquenique :D
Temas:
Albuns,
Lançamentos,
Pop,
Rock
Recital =)
É verdade, vou tocar esta quinta-feira às 21:30 na Escola de Música Óscar da Silva, juntamente com um amigo meu, guitarrista da Esmae (um senhor!), o Nuno Pinto.
É curto, meia-hora ele, meia-hora eu, pequeno intervalo a meio.
Apareçam se quiserem.
(notas aos compositores: desculpem, mas nada de música contemporânea da minha parte, vou tocar o meu programa deste ano...! No máximo, um prelúdio de Débussy. Ele é que parece que vai tocar umas cenas bem porreiras!)
Bernardo.
É curto, meia-hora ele, meia-hora eu, pequeno intervalo a meio.
Apareçam se quiserem.
(notas aos compositores: desculpem, mas nada de música contemporânea da minha parte, vou tocar o meu programa deste ano...! No máximo, um prelúdio de Débussy. Ele é que parece que vai tocar umas cenas bem porreiras!)
Bernardo.
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Novo album de Metallica
A quem interessar, os Metallica anunciaram, no passado dia 14 o nome do seu próximo álbum, a ser editado no próximo mês de Setembro.

Segundo esta imagem postada no site da banda, o álbum chamar-se-à Death Magnetic. Além da imagem, um vídeo promocional de poucos segundos também foi disponibilizado. Apesar de ser pouco interessante, é acompanhado por um riff de uma das músicas, confirmando aquilo que já vinha sendo dito sobre o facto da banda estar a tentar voltar ao som mais trash dos seus tempos dourados:
Uma rápida pesquisa no youtube ajuda a aguçar ainda mais o apetite:
(este video é uma compilação de trailers lançados pelo site MissionMetallica o que não garante que algum destes riffs são parte da versão final do álbum)

Segundo esta imagem postada no site da banda, o álbum chamar-se-à Death Magnetic. Além da imagem, um vídeo promocional de poucos segundos também foi disponibilizado. Apesar de ser pouco interessante, é acompanhado por um riff de uma das músicas, confirmando aquilo que já vinha sendo dito sobre o facto da banda estar a tentar voltar ao som mais trash dos seus tempos dourados:
Uma rápida pesquisa no youtube ajuda a aguçar ainda mais o apetite:
(este video é uma compilação de trailers lançados pelo site MissionMetallica o que não garante que algum destes riffs são parte da versão final do álbum)
domingo, 15 de junho de 2008
Interpretação e bom senso
Ora bem, tanbém queria apresentar aqui uma reflexão fofinha. Sobre o bom senso na música.
Ontem ouvi um gajo, que não vou dizer quem é, a tocar piano. É um homem que está no caminho de se tornar pianista e que tem tudo para isso: técnica excelente, sensibilidade muito apurada, criatividade verdadeiramente espantosa. Apesar de bastante preguiçoso, segundo dizem, teve resultados muito, muito bons; apesar de já estar numa idade algo difícil vai voltar a concorrer para estudar lá fora, depois de já ter passado por três professores extraordinários em três países diferentes. Voltando, ontem ouvi-o tocar. E o que me chamou à atenção para falar, foi isto:
Como é que alguém que consegue inventar atmosferas tão extraordinárias ao piano, que faz interpretações tão diferentes do que já ouvi toma decisões musicais tão pouco cautelosas? Parece haver tanta ânsia em fazer momentos diferentes do que já ouvimos, que resulta em algo musicalmente...estranho, disconexo, ou, mesmo que seja conexo, pouco agradável, ou pouco desagradável, conforme for o objectivo. Explicar-vos por escrito é muito, muito difícil, mas vou tentar. Nós podemos sentar-nos, fazer uma interpretação incrivelmente diferente e ser «genial». E é genial porquê:
Da mesma forma que se eu quero fazer uma suspensão de 15 segundos numa obra, suspensão essa que demora o triplo do tempo que geralmente é feito, assumo-a até ao fim: imóvel, quieto, sem retirar as mãos do teclado, respirando de forma inaudível, etc. Se algo que é diferente já custa a entrar à primeira, então se for mal feito...ora merda!
Não me levem a mal, ou não me interpretem mal, porque é fácil interpretarem mal o que acabei de dizer. Já falei de música com palavras que assustam muita gente: Ciência, Certo, e só falta falar em objectividade, que também há, e muito, muito mais do que geralmente se pensa. Começa logo com alguns princípios: quem vai a um concerto, vai para sentir alguma coisa, para aprender alguma coisa, para se surpreender, para lhe suscitar alguma coisa. Antes de fazerem interpretações malucas, com cálculos astronómicos, pensem primeiro nisto. Oiçam mentalmente, do princípio ao fim, se o que querem fazer vai entrar na cabeça das pessoas.
Mas pronto, podia estar a tarde toda aqui a falar disto, que provavelmente ainda não conseguiria dizer tudo o que penso, e já estou a abusar um bocado do tempo de antena. =P
Bernardo.
Ontem ouvi um gajo, que não vou dizer quem é, a tocar piano. É um homem que está no caminho de se tornar pianista e que tem tudo para isso: técnica excelente, sensibilidade muito apurada, criatividade verdadeiramente espantosa. Apesar de bastante preguiçoso, segundo dizem, teve resultados muito, muito bons; apesar de já estar numa idade algo difícil vai voltar a concorrer para estudar lá fora, depois de já ter passado por três professores extraordinários em três países diferentes. Voltando, ontem ouvi-o tocar. E o que me chamou à atenção para falar, foi isto:
Como é que alguém que consegue inventar atmosferas tão extraordinárias ao piano, que faz interpretações tão diferentes do que já ouvi toma decisões musicais tão pouco cautelosas? Parece haver tanta ânsia em fazer momentos diferentes do que já ouvimos, que resulta em algo musicalmente...estranho, disconexo, ou, mesmo que seja conexo, pouco agradável, ou pouco desagradável, conforme for o objectivo. Explicar-vos por escrito é muito, muito difícil, mas vou tentar. Nós podemos sentar-nos, fazer uma interpretação incrivelmente diferente e ser «genial». E é genial porquê:
- Quem conhece a obra acha muito diferente e, como está correcto, lógico e coeso, interessante.
- Quem não conhece a obra, acha divertido e, mesmo não se identificando com muitas coisas que sentiu, acha interessante
- Quem pura e simplesmente não gostou, dá-lhe valor na mesma, porque está interessante. Ah, e correcto, esqueci-me da palavra.
Da mesma forma que se eu quero fazer uma suspensão de 15 segundos numa obra, suspensão essa que demora o triplo do tempo que geralmente é feito, assumo-a até ao fim: imóvel, quieto, sem retirar as mãos do teclado, respirando de forma inaudível, etc. Se algo que é diferente já custa a entrar à primeira, então se for mal feito...ora merda!
Não me levem a mal, ou não me interpretem mal, porque é fácil interpretarem mal o que acabei de dizer. Já falei de música com palavras que assustam muita gente: Ciência, Certo, e só falta falar em objectividade, que também há, e muito, muito mais do que geralmente se pensa. Começa logo com alguns princípios: quem vai a um concerto, vai para sentir alguma coisa, para aprender alguma coisa, para se surpreender, para lhe suscitar alguma coisa. Antes de fazerem interpretações malucas, com cálculos astronómicos, pensem primeiro nisto. Oiçam mentalmente, do princípio ao fim, se o que querem fazer vai entrar na cabeça das pessoas.
Mas pronto, podia estar a tarde toda aqui a falar disto, que provavelmente ainda não conseguiria dizer tudo o que penso, e já estou a abusar um bocado do tempo de antena. =P
Bernardo.
sábado, 14 de junho de 2008
Imparcialidade
De todas as capacidades socialmente aceites como qualidades, a imparcialidade é a que me provoca mais desconfiança, que é ampliada quando falamos de Música/Arte.
Sem entrar na Filosofia da Arte, dissertando acerca do seu significado e definição, irrelevante para o caso, acho sensato tomar como certo - numa lógica quase positivista - que a Arte influencia profundamente a nossa vida, em quase todos os aspectos. Mesmo que não o saibamos. E mesmo que a nossa visão seja meramente conceptual.
Imparcialidade na aproximação à Arte significa relegarmos para segundo plano tudo o que faz de nós o que somos, cair na ingenuidade de achar que alguém poderá ter mais ou menos verdade na sua experiência e na sua vivência do que nós. Se há determinadas correntes estilísticas, determinados artistas ou obras que nos transmitem sentimentos e percepções mais completas que outros, porque não privilegiá-las? Sobretudo quando o conhecimento total é apenas e só utópico - cometer a excentricidade de achar que podemos saber algo sobre tudo é ficar com nada sobre nada.
Convém, ainda assim, distinguir imparcialidade de abertura de mente, sendo que a última se refere à humildade e ao espírito crítico de querer complementar as nossas experiências, mas partindo delas, nunca o contrário. Claro que a fronteira entre as duas pode ser (e é) muito ténue, mas, como em quase tudo, julgo que a resposta está na ausência de absolutismos - e na auto-confiança.
Sem entrar na Filosofia da Arte, dissertando acerca do seu significado e definição, irrelevante para o caso, acho sensato tomar como certo - numa lógica quase positivista - que a Arte influencia profundamente a nossa vida, em quase todos os aspectos. Mesmo que não o saibamos. E mesmo que a nossa visão seja meramente conceptual.
Imparcialidade na aproximação à Arte significa relegarmos para segundo plano tudo o que faz de nós o que somos, cair na ingenuidade de achar que alguém poderá ter mais ou menos verdade na sua experiência e na sua vivência do que nós. Se há determinadas correntes estilísticas, determinados artistas ou obras que nos transmitem sentimentos e percepções mais completas que outros, porque não privilegiá-las? Sobretudo quando o conhecimento total é apenas e só utópico - cometer a excentricidade de achar que podemos saber algo sobre tudo é ficar com nada sobre nada.
Convém, ainda assim, distinguir imparcialidade de abertura de mente, sendo que a última se refere à humildade e ao espírito crítico de querer complementar as nossas experiências, mas partindo delas, nunca o contrário. Claro que a fronteira entre as duas pode ser (e é) muito ténue, mas, como em quase tudo, julgo que a resposta está na ausência de absolutismos - e na auto-confiança.
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