«O Sr. GNR está aí e com novo disco. Companhia das Índias conta com colaborações de artistas como Rodrigo Leão, Paulo Furtado (The Legendarry Tigerman), Armando Teixeira (produção), Slimmy, JP Coimbra (Mesa), Alexandre Soares, Margarida Pinto (Coldfinger) e New Max (Expensive Soul). Se aqui clicarem poderão ouvir o novo tema de Rui Reininho, intitulado "Bem Bom" [sim, a das Doce].»
notícia completa e alinhamento in bodyspace.net
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sexta-feira, 14 de novembro de 2008
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Álbum de Teresa Salgueiro em 2009
«Teresa Salgueiro está a preparar o seu novo trabalho em conjunto com o Lusitânia Ensemble sob a direcção musical de Jorge Varrecoso Gonçalves.
O projecto intitulado Matriz será lançado no início de 2009 e conta já com uma digressão em Fevereiro por terras espanholas.
Matriz fará um percurso pela música portuguesa, do período medieval ao presente. Iniciando-se na Música Antiga, passando pela Música Popular, Tradicional, Fado, culminando em autores como Fausto, Fernando Lopes Graça e Carlos Paredes.»
retirado do myspace da cantora
O projecto intitulado Matriz será lançado no início de 2009 e conta já com uma digressão em Fevereiro por terras espanholas.
Matriz fará um percurso pela música portuguesa, do período medieval ao presente. Iniciando-se na Música Antiga, passando pela Música Popular, Tradicional, Fado, culminando em autores como Fausto, Fernando Lopes Graça e Carlos Paredes.»
retirado do myspace da cantora
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terça-feira, 4 de novembro de 2008
NIN - The Slip
Cada vez há menos dúvidas da influência mais ou menos directa do modelo de venda do «In Rainbows» no surgimento de iniciativas de disponibilização gratuita de música. Já no passado tinha havido pistas do que poderia vir a surgir, com a venda de músicas apenas em formato digital ou a oferta de singles, mas nunca uma operação como a que assistimos há já mais de um ano. O mesmo se observa na disponibilização do último álbum saído da mente de Trent Reznor, disponível para download desde Maio (aqui). Não gostei do álbum porque os ambiente dos Nine Inch Nails nunca me seduziram, mas não deixo de reparar com agrado a quantidade de formatos em que é oferecido o download. Com o avanço tecnológico caminhamos para uma oferta cada vez mais diversificada em que a compra pela internet não é necessariamente sinónimo de ficheiros com fraca qualidade (longe vão os tempos dos downloads de mp3 a 96kbp/s) ou cheios de protecções manhosas a la DRM.
O álbum está então disponível em formato MP3 (87MB, encoding LAME), FLAC lossless (259MB), FLAC high-definition 24/96 (942MB), M4A apple lossless (263MB), high definition WAVE 24/96 (1,5GB). Tudo DRM-free!
E sim, também existe versão física CD/DVD/Vinil.
O álbum está então disponível em formato MP3 (87MB, encoding LAME), FLAC lossless (259MB), FLAC high-definition 24/96 (942MB), M4A apple lossless (263MB), high definition WAVE 24/96 (1,5GB). Tudo DRM-free!
E sim, também existe versão física CD/DVD/Vinil.
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segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Metafonia: o valor da marca
Se há coisa que admiro nos Led Zeppelin é o seu fim. Os Led Zeppelin são o Page, o Plant, o Jones e o Bonham, e sem o Bonham não há Zeppelin. Foi qualquer coisa assim que os senhores disseram e pensaram quando o seu baterista de sempre morreu tragicamente. Para mim sempre foi um acto de coerência e que raras vezes vi noutras bandas. Inclusive se agora se tornar verdade o boato de que Page e Jones avançam sem Plant para uma tour, ficarei desiludido. Serão como o May e Taylor a envergonhar a chancela Queen no último álbum que saiu... Ou como os Nightwish trocarem de vocalista e passarem a soar ao vivo como uma banda de covers, já que o instrumental é facilmente imitável (dado o carácter electrónico dos instrumentos) - a voz da Tarja sempre foi o elemento distintivo da banda. Mas o valor da marca sobrepõem-se quase sempre aos subjectivos valores artísticos.
Mas esta posta não é sobre os gigantes britânicos (e anões finlandeses), mas sim sobre os Madredeus. Por muito que goste da obra do Pedro Ayres de Magalhães, e mesmo sabendo do seu papel como mentor do projecto, não posso deixar de ficar incomodado com as notícias do novo álbum, editado hoje.
Depois da saída de Teresa Salgueiro, José Peixoto e Fernando Júdice, e ficando apenas Pedro Ayres de Magalhães e Carlos Maria Trindade, foram recrutadas duas vocalistas: Mariana Abrunheiro e Rita Damásio. Como não chegava para fazer a "nova música" dos Madredeus, junta-se a «Banda Cósmica» (menos...) composta por: Ana Isabel Dias (harpa), Sérgio Zurawski (guitarra eléctrica), Gustavo Roriz (guitarra baixo), Ruca Rebordão (percussão), Babi Bergamini (bateria), Jorge Varrecoso (violino) e Sofia Vitória, Cristina Loureiro e Marisa Fortes (coros).
Não consigo deixar de ver esta continuação como uma valorização do nome da banda como marca em detrimento da vertente de carreira artística, que é algo mais que um nome e umas rodelas de plástico. Mas isso é o meu lirismo a falar. Decerto que o senhor lá terá os direitos ao nome e poderá reivindicar o projecto como seu filho - o seu papel na história dos Madredeus é inegável e de se tirar o chapéu! Mas mesmo assim, não acho que faça sentido.
Como também estou aqui para informar, resta dizer que o álbum «Metafonia» será duplo, com 12 temas inéditos e 7 regravações (há que manter o fio condutor de alguma forma, além de serem precisas músicas para os concertos).
O álbum será certamente de qualidade. Os seus compositores assim o indicam. Mas preferia um nome diferente, só isso.
Mais informações aqui, aqui, aqui e também aqui.
Mas esta posta não é sobre os gigantes britânicos (e anões finlandeses), mas sim sobre os Madredeus. Por muito que goste da obra do Pedro Ayres de Magalhães, e mesmo sabendo do seu papel como mentor do projecto, não posso deixar de ficar incomodado com as notícias do novo álbum, editado hoje.
Depois da saída de Teresa Salgueiro, José Peixoto e Fernando Júdice, e ficando apenas Pedro Ayres de Magalhães e Carlos Maria Trindade, foram recrutadas duas vocalistas: Mariana Abrunheiro e Rita Damásio. Como não chegava para fazer a "nova música" dos Madredeus, junta-se a «Banda Cósmica» (menos...) composta por: Ana Isabel Dias (harpa), Sérgio Zurawski (guitarra eléctrica), Gustavo Roriz (guitarra baixo), Ruca Rebordão (percussão), Babi Bergamini (bateria), Jorge Varrecoso (violino) e Sofia Vitória, Cristina Loureiro e Marisa Fortes (coros).
Não consigo deixar de ver esta continuação como uma valorização do nome da banda como marca em detrimento da vertente de carreira artística, que é algo mais que um nome e umas rodelas de plástico. Mas isso é o meu lirismo a falar. Decerto que o senhor lá terá os direitos ao nome e poderá reivindicar o projecto como seu filho - o seu papel na história dos Madredeus é inegável e de se tirar o chapéu! Mas mesmo assim, não acho que faça sentido.
Como também estou aqui para informar, resta dizer que o álbum «Metafonia» será duplo, com 12 temas inéditos e 7 regravações (há que manter o fio condutor de alguma forma, além de serem precisas músicas para os concertos).
O álbum será certamente de qualidade. Os seus compositores assim o indicam. Mas preferia um nome diferente, só isso.
Mais informações aqui, aqui, aqui e também aqui.
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quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Chama Perpétua
Ei malta, é só para informar quem não sabe que saiu o novo álbum do nosso shredder favorito (depois do Fred Durst), o Yngwie Malmsteen.
O que é que isso interessa? - perguntam vocês, enquanto se escondem num bunker anti-nuclear?
Nada! - respondo eu - Vou só deixar isto aqui:
O que é que isso interessa? - perguntam vocês, enquanto se escondem num bunker anti-nuclear?
Nada! - respondo eu - Vou só deixar isto aqui:
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Portugal. O Gajo
Há uns anos ouvi esta banda (Portugal. The Man) porque achei o nome estranho. Eram uns gajos dos post-hardcore-cenas (não gostei nada). Ontem, em deambulação pelos internets, deparei-me com eles de novo e como o allmusic dava ao último album uma boa cotação decidi ouvir e tenho a dizer que gostei.

É nestas alturas que fica bem dizer: vivam os Radiohead! Já começa a ser elevado o número de bandas que foram "salvas" pela inspiração divina trazida à terra por estes malucos (literalmente).
Cabeças de Rádio aparte, fica aqui um cheirinho de Portugal. O Gajo:
Portugal. The Man - And I

É nestas alturas que fica bem dizer: vivam os Radiohead! Já começa a ser elevado o número de bandas que foram "salvas" pela inspiração divina trazida à terra por estes malucos (literalmente).
Cabeças de Rádio aparte, fica aqui um cheirinho de Portugal. O Gajo:
Portugal. The Man - And I
domingo, 14 de setembro de 2008
Opeth - Wathershed
Já aqui falámos dos Opeth, banda sueca de death metal progressivo. Falemos agora do último álbum da banda (o nono), lançado em fins de Maio. Como os anteriores álbuns, «Wathershed» não é um álbum revolucionário mas antes mais um pequeno passo em frente dos Opeth. O anterior - «Ghost Reveries» - era já um esforço impecável nos três registos predilectos da banda: o death metal brutal, as deambulações progressivas guitar-oriented e os momentos mais acústico-intimistas. Este novo registo constitui, ao longo das suas sete faixas, uma continuação lógica do anterior, mas aperfeiçoando e dando maior relevo ao terceiro registo ("os momentos mais acústico-intimistas"), muito para meu agrado.O álbum inicia-se em tom acústico com «Coil», trazendo a bela voz da cantora folk sueca Nathalie Lorichs, num dueto melódico intimista. Como em qualquer álbum dos Opeth, a beleza é para se apreciar mas não por muito tempo, e tal acontece com a passagem para o segundo tema - «Heir Apparent», a música mais pesada - com 9 minutos de death metal sombrio e gutural.
Depois da tempestade, vem a acalmia? Não. Vem antes «The Lotus Eater», uma típica música de Opeth. Momentos mais clean entrelaçados com alguns dos melhores momentos metal que ouvi este ano, numa rapsódia rítmica intensa, num constante sobe-e-desce de intensidade, guturais intercalados com vocais mais acessíveis, bom trabalho de guitarra. A meio, um movimento prog de teclados não muito habituais no meio do death metal...
«Burden» traz-nos uma bela balada, fugindo dos cânones metaleiros e oferecendo um som acessível e lembrando alguns clássicos dos antigamentes, com extensos solos de guitarra e (pasme-se) o primeiro solo de teclas da história dos Opeth. E quem bem que ficam entrelaçados num jogo de emoções que não esperava ouvir vindo destes senhores!
Vamos a meio do álbum e encontramos finalmente o single de lançamento (vide abaixo, em versão editada) «Porcelain Heart». A escolha surpreendeu-me: primeiro, porque não tem guturais; segundo, porque é a música menos acessível de todo o álbum. Porquê? Porque é uma sucessão de dois momentos diferentes: o verso - acústico, sem bateria, baseado em guitarra clássica- e o refrão - eléctrico, a entrar em fade in em vez de uma progressão mais natural - alicercado na repetição exaustiva de dois temas.
«Hessian Peel» são 11 minutos predominantemente acústicos com alguns momentos de peso, fazendo lembrar as fórmulas dos primeiros álbuns, mas com um significativo acréscimo de qualidade. E assim chegamos ao último tema - «Hex Omega», que não é mais que uma súmula da imagem sonora do álbum: momentos intimistas com muita guitarra clássica (não acústica) e orquestração de teclados intercalados com os momentos eléctricos, onde um excelente trabalho de bateria e guitarra sustentam e impulsionam o nome da melhor banda de metal progressivo da actualidade.
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sábado, 9 de agosto de 2008
«Tabarly»: o regresso de Yann Tiersen
Dia 9 de Junho foi editado o mais recente trabalho do multi-facetado Yann Tiersen. Um belo trabalho no estilo minimalista a que já nos habituou, privilegiando neste registo o piano e apresentando um disco mais «minimal» (nos arranjos e instrumentação) que os anteriores. Gostei do álbum, tem momentos belos. Podem ouvir 3 temas no seu myspace.

Fiquemos com as suas palavras (e o excerto de uma entrevista):
«As I was working on my next album, I was sent a request. It was about a documentary on French sailor Eric Tabarly.
Straight away I thought it would again be one of those lyrical documentaries such as "A man facing the sea". Add a bit of accordion in it and we'll reach the height of bad taste. I watched the film and realised it wasn't. It's an elegant portrait of Eric Tabarly.
The narrator is Tabarly himself, honest, not bothering about the media. A lesson of integrity. That's why I've decided to work on it and postpone the work my own album for a quick while. I've then recorded a series of musical pieces.
A sort of musical portrait of the man...»
«Did you work with an edited version of the movie?
I haven't worked with any images. I only got myself inspired with the man's personality, so much that for a month, I was totally obsessed with it. I've read lots of things about him. Straight after accepting to work on the project, I knew it was going to be great. But quickly I started to wonder what on earth I was going to do… Because in a way, any music can illustrate a sailing race, who cares? (laughs) I mean, there's no specific music for that! And that's why I got myself impregnated by the man's story. I composed the music in Ouessant. What's a bit awkward is that Ouessant is the place in France where he's had his last dinner…
(...)
Why have you chosen the piano in 9 pieces out of 15 on the "Tabarly" album?
Well, to be honest, the first reason is that I didn't have much time for something else! (laughs) But it doesn't mean I've botched up the thing. Piano worked well. I'm actually working on my own album and there aren't much of it. This project allowed me to play the piano again and I really enjoyed it.
What is your coming album like?
It's hard work. There were lots of contrasts in my last albums. Some were very acoustic while others were very electro. In the next, you'll find those two aspects together in one piece. I'm also working hard on the sound aspect of it. A voice will be present on every piece of music but not necessarily to make a song out of it. It'll be more like any other instruments. I've been working on it since last September. I've never worked this way before: I can work on the same piece for a month, it takes time.
When is your next album due?
It could be in February. But it may as well be two albums and not only one.»

Fiquemos com as suas palavras (e o excerto de uma entrevista):
«As I was working on my next album, I was sent a request. It was about a documentary on French sailor Eric Tabarly.
Straight away I thought it would again be one of those lyrical documentaries such as "A man facing the sea". Add a bit of accordion in it and we'll reach the height of bad taste. I watched the film and realised it wasn't. It's an elegant portrait of Eric Tabarly.
The narrator is Tabarly himself, honest, not bothering about the media. A lesson of integrity. That's why I've decided to work on it and postpone the work my own album for a quick while. I've then recorded a series of musical pieces.
A sort of musical portrait of the man...»
«Did you work with an edited version of the movie?
I haven't worked with any images. I only got myself inspired with the man's personality, so much that for a month, I was totally obsessed with it. I've read lots of things about him. Straight after accepting to work on the project, I knew it was going to be great. But quickly I started to wonder what on earth I was going to do… Because in a way, any music can illustrate a sailing race, who cares? (laughs) I mean, there's no specific music for that! And that's why I got myself impregnated by the man's story. I composed the music in Ouessant. What's a bit awkward is that Ouessant is the place in France where he's had his last dinner…
(...)
Why have you chosen the piano in 9 pieces out of 15 on the "Tabarly" album?
Well, to be honest, the first reason is that I didn't have much time for something else! (laughs) But it doesn't mean I've botched up the thing. Piano worked well. I'm actually working on my own album and there aren't much of it. This project allowed me to play the piano again and I really enjoyed it.
What is your coming album like?
It's hard work. There were lots of contrasts in my last albums. Some were very acoustic while others were very electro. In the next, you'll find those two aspects together in one piece. I'm also working hard on the sound aspect of it. A voice will be present on every piece of music but not necessarily to make a song out of it. It'll be more like any other instruments. I've been working on it since last September. I've never worked this way before: I can work on the same piece for a month, it takes time.
When is your next album due?
It could be in February. But it may as well be two albums and not only one.»
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segunda-feira, 21 de julho de 2008
The Pros and Cons of Hitch Hiking

Poucos álbuns me marcaram tão profundamente como The Pros and Cons of Hitch Hiking, de Roger Waters, uma viagem delirante pelos confins da mente humana sob a forma de uma sequência de sonhos, que resulta, obviamente, numa paisagem sonora e conceptual extremamente rica e diversa.
Segundo os rumores, consta que Roger Waters terá apresentado, por volta de 1978, aos outros membros dos Pink Floyd dois esboços diferentes para o futuro álbum da banda, que continham (e isto agora sou eu a dizer) uma base similar, i. e., a análise da complexidade das relações humanas, sendo a diferença de perspectiva: uma era sobretudo externa, centrada na posição dos outros perante nós e na nossa reacção, e outra subjectiva e interna, focando os dilemas pessoais e as suas manifestações. Como os mais atentos já repararam, estou obviamente a falar de The Wall e The Pros and Cons of Hitch Hiking, respectivamente. Como aprendemos nas aulas de História (hum? Não aprendemos? Mas devíamos... Que é da II GG comparada com isto? Pff...) a banda escolheu a primeira opção , e o senhor Rogério Águas manteve o outro projecto em águas (ahah) de bacalhau, tornando-o no seu primeiro álbum a solo, em 1984. Para isso convidou nomes como Eric Clapton (guitarras), Michael Kamen (piano, orquestração e direcção, produção) e David Sanborn (sax), tornando o projecto quase num supergrupo, mas também, e não tão menos importantes, Ray Cooper e Andy Newmark (percussão), Andy Bown (Hammond e guitarra) e Madeline Bell, Katie Kissoon e Doreen Chanter (coro).
A viagem começa às 4:30 (da manhã pois claro) e segue em tempo real até às 5:13, aproximadamente, passando por momentos tão diferentes como um ataque de árabes armados na sua própria casa¹, uma boleia carregada de tensão sexual a uma jovem na Europa, um pedido de boleia numa auto-estrada perdida nos Estados Unidos, uma garrafa de vinho partilhada com alemães, entre muitos outros. O fio condutor do álbum é notável, e dá um sentido de coesão a momentos tão distintos e sem ligação aparente. Chama-se categoria. A track list é como segue:
Pelo que já foi dito, mas principalmente pelo que é impossível dizer, porque nunca lhe conseguiria fazer justiça, pelo que deixo o resto ao vosso cuidado e atenção, este é um álbum verdadeiramente incontornável, assim como uma experiência enriquecedora, em que acabamos a partilhar com o protagonista o "Moment of Clarity". Se fosse o professor Marcelo, dava 20 valores.Segundo os rumores, consta que Roger Waters terá apresentado, por volta de 1978, aos outros membros dos Pink Floyd dois esboços diferentes para o futuro álbum da banda, que continham (e isto agora sou eu a dizer) uma base similar, i. e., a análise da complexidade das relações humanas, sendo a diferença de perspectiva: uma era sobretudo externa, centrada na posição dos outros perante nós e na nossa reacção, e outra subjectiva e interna, focando os dilemas pessoais e as suas manifestações. Como os mais atentos já repararam, estou obviamente a falar de The Wall e The Pros and Cons of Hitch Hiking, respectivamente. Como aprendemos nas aulas de História (hum? Não aprendemos? Mas devíamos... Que é da II GG comparada com isto? Pff...) a banda escolheu a primeira opção , e o senhor Rogério Águas manteve o outro projecto em águas (ahah) de bacalhau, tornando-o no seu primeiro álbum a solo, em 1984. Para isso convidou nomes como Eric Clapton (guitarras), Michael Kamen (piano, orquestração e direcção, produção) e David Sanborn (sax), tornando o projecto quase num supergrupo, mas também, e não tão menos importantes, Ray Cooper e Andy Newmark (percussão), Andy Bown (Hammond e guitarra) e Madeline Bell, Katie Kissoon e Doreen Chanter (coro).
A viagem começa às 4:30 (da manhã pois claro) e segue em tempo real até às 5:13, aproximadamente, passando por momentos tão diferentes como um ataque de árabes armados na sua própria casa¹, uma boleia carregada de tensão sexual a uma jovem na Europa, um pedido de boleia numa auto-estrada perdida nos Estados Unidos, uma garrafa de vinho partilhada com alemães, entre muitos outros. O fio condutor do álbum é notável, e dá um sentido de coesão a momentos tão distintos e sem ligação aparente. Chama-se categoria. A track list é como segue:
1. 4.30 Am (Apparently They Were Travelling Abroad)
2. 4.33 Am (Running Shoes)
3. 4.37 Am (Arabs With Knives and West German Skies)
4. 4.39 Am (For the First Time Today, Pt. 2)
5. 4.41 Am (Sexual Revolution) (Waters)
6. 4.47 Am (The Remains of Our Love)
7. 4.50 Am (Go Fishing) (Waters)
8. 4.56 Am (For the First Time Today, Pt. 1)
9. 4.58 Am (Dunroamin, Duncarin, Dunlivin)
10. 5.01 Am (The Pros and Cons of Hitch Hiking...)
11. 5.06 Am (Every Strangers Eyes)
12. 5.11 Am (The Moment of Clarity)
2. 4.33 Am (Running Shoes)
3. 4.37 Am (Arabs With Knives and West German Skies)
4. 4.39 Am (For the First Time Today, Pt. 2)
5. 4.41 Am (Sexual Revolution) (Waters)
6. 4.47 Am (The Remains of Our Love)
7. 4.50 Am (Go Fishing) (Waters)
8. 4.56 Am (For the First Time Today, Pt. 1)
9. 4.58 Am (Dunroamin, Duncarin, Dunlivin)
10. 5.01 Am (The Pros and Cons of Hitch Hiking...)
11. 5.06 Am (Every Strangers Eyes)
12. 5.11 Am (The Moment of Clarity)
Aqui fica o vídeo original da Every Strangers Eyes, momento de epifania, e o link para uma review feita por mim em 2004.
¹ A propósito do episódio arabesco, e recordando episódios recentes da história britânica e londrina, aqui fica um excerto profético da letra:
"(...)
I opened my eyes and to my surprise
There were Arabs with knives at the front of the bed
Right at the front of the bed
Oh my God, how did they get in here
I thought we were safe home in England
She said, come on now kid, it was wrong what you did
You've got to admit it was wrong what you did
You've got to admit it was wrong
[Jade:] "Oh god....Jesus..."
sexta-feira, 18 de julho de 2008
40 anos d'O Flautista às Portas da Alvorada
Há dias encontrei cá em casa um livro da minha infância, em inglês e profusamente ilustrado (bem bonito por sinal) intitulado «The Wind in The Willows» (um clássico da literatura infantil). Ao passear por entre as suas páginas cheguei ao sétimo capítulo intitulado «The Piper at the Gates of Dawn», o que me deu o empurrão para fazer um crítica não ao álbum mas à edição comemorativa do 40º aniversário, com que fui presenteado recentemente.
Para os que não sabem, falo do álbum de estreia dos Pink Floyd, de 1967, com a mão de Syd Barrett e um marco incontestável na história do rock ao exercer uma enorme influência no movimento psicadélico da altura e estendendo os seus tentáculos até aos dias de hoje. A temática fantástico-infantil e o experimentalismo sónico apanharam o mundo do rock desprevenido e apesar desses elementos se diluírem ao longo da carreira dos Floyd não deixam de ter sido uma daquelas bandas que pode afirmar que conseguiu empurrar as fronteiras para um pouco mais longe.
Para marcar o 40º aniversário foi lançada uma edição especial comemorativa. O exterior - da autoria do inevitável Storm Thorgerson - é bonito, numa capa dura tipo pano, bordeaux com letras douradas. O interior também, em forma de livro, com um livrete a cores com várias fotografias e as letras. Como bónus, uma reprodução de um livrete de 1965 da autoria do próprio Syd Barrett. Apesar de tudo, esperava duma edição de aniversário algo mais que as letras e fotos... talvez uma nota biográfica ou opiniões dos membros.
No que toca à música temos 3 CD's! Os primeiros dois dizem respeito ao álbum em si, remasterizados por James Guthrie (The Wall), em versão Mono e Stereo. Escusado será dizer que prefiro claramente a versão stereo. Na verdade, só ouvi a versão mono uma vez e não me parece que volte a pegar no cd muitas mais vezes quando ao lado tenho o cd com o mesmo álbum mas com todas as potencialidades do mix stereo original. [nota histórica: a versão stereo do LP foi lançada um mês depois da versão mono]
O terceiro CD é que traz as verdadeiras novidades. Começando por apresentar alguns early singles - Arnold Layne, Candy and a Currant Bun, See Emily Play, Apples and Oranges, Paintbox (que bela que é esta música!) - seguem-se as faixas "novas".
Citando a wikipedia: «Other tracks are a rare mix of "Interstellar Overdrive" - Take 2 of the original recording sessions, the pre-overdubbed abridged mix previously only available on an EP in France - and the 1967 stereo version of "Apples and Oranges". Plus an alternative "Matilda Mother" (from the first session for the album mentioned in the 33 1/3 book on Piper). (At their first EMI session in February '67, Pink Floyd recorded a 4-minute version of Matilda that had different vocals compared to the album version). Plus another alternative Interstellar Overdrive (take 6). (On 3/16/67 Pink Floyd recorded four additional takes of IO. Each was reported to be about 5 minutes long, save for one false start.)»
Conclusão: esta edição será mais compensatória para os fãs coleccionistas principalmente se já tiverem o álbum original e o álbum «The Early Singles» (que além das músicas supracitadas tem ainda pérolas como Julia Dream, entre outras). Quem tiver estes dois álbuns apenas encontrará nesta edição as 4 versões alternativas e um packaging mais atraente. Não deixa, no entanto, de ser uma bora compra e uma bela peça de colecção para quem não tiver os álbuns referidos.
Para os que não sabem, falo do álbum de estreia dos Pink Floyd, de 1967, com a mão de Syd Barrett e um marco incontestável na história do rock ao exercer uma enorme influência no movimento psicadélico da altura e estendendo os seus tentáculos até aos dias de hoje. A temática fantástico-infantil e o experimentalismo sónico apanharam o mundo do rock desprevenido e apesar desses elementos se diluírem ao longo da carreira dos Floyd não deixam de ter sido uma daquelas bandas que pode afirmar que conseguiu empurrar as fronteiras para um pouco mais longe.
Para marcar o 40º aniversário foi lançada uma edição especial comemorativa. O exterior - da autoria do inevitável Storm Thorgerson - é bonito, numa capa dura tipo pano, bordeaux com letras douradas. O interior também, em forma de livro, com um livrete a cores com várias fotografias e as letras. Como bónus, uma reprodução de um livrete de 1965 da autoria do próprio Syd Barrett. Apesar de tudo, esperava duma edição de aniversário algo mais que as letras e fotos... talvez uma nota biográfica ou opiniões dos membros.
No que toca à música temos 3 CD's! Os primeiros dois dizem respeito ao álbum em si, remasterizados por James Guthrie (The Wall), em versão Mono e Stereo. Escusado será dizer que prefiro claramente a versão stereo. Na verdade, só ouvi a versão mono uma vez e não me parece que volte a pegar no cd muitas mais vezes quando ao lado tenho o cd com o mesmo álbum mas com todas as potencialidades do mix stereo original. [nota histórica: a versão stereo do LP foi lançada um mês depois da versão mono]O terceiro CD é que traz as verdadeiras novidades. Começando por apresentar alguns early singles - Arnold Layne, Candy and a Currant Bun, See Emily Play, Apples and Oranges, Paintbox (que bela que é esta música!) - seguem-se as faixas "novas".
Citando a wikipedia: «Other tracks are a rare mix of "Interstellar Overdrive" - Take 2 of the original recording sessions, the pre-overdubbed abridged mix previously only available on an EP in France - and the 1967 stereo version of "Apples and Oranges". Plus an alternative "Matilda Mother" (from the first session for the album mentioned in the 33 1/3 book on Piper). (At their first EMI session in February '67, Pink Floyd recorded a 4-minute version of Matilda that had different vocals compared to the album version). Plus another alternative Interstellar Overdrive (take 6). (On 3/16/67 Pink Floyd recorded four additional takes of IO. Each was reported to be about 5 minutes long, save for one false start.)»
Conclusão: esta edição será mais compensatória para os fãs coleccionistas principalmente se já tiverem o álbum original e o álbum «The Early Singles» (que além das músicas supracitadas tem ainda pérolas como Julia Dream, entre outras). Quem tiver estes dois álbuns apenas encontrará nesta edição as 4 versões alternativas e um packaging mais atraente. Não deixa, no entanto, de ser uma bora compra e uma bela peça de colecção para quem não tiver os álbuns referidos.
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Paco de Lucia
Contrariando a tendência do videoclube Inarmónico, venho falar-vos hoje do Paco de Lucia, guitarrista que deve dispensar apresentações (assim o espero, para o vosso bem). Particularmente de dois álbuns distintos e de tudo o que há entre eles:
Quem conhecer a história do Paco sabe que consiste basicamente em duas etapas distintas:
1. Tocar até cair para o lado desde que o pai o tirou da escola para se dedicar exclusivamente à guitarra. Depois, tocar ainda mais.
2. Conquista mundial. Tocar o dobro.
Ora, durante o processo do ponto 2, Paco teve contacto com muitos dos maiores músicos da sua (nossa) época, e com muitos géneros musicais diferentes. Isto, aliado à sua originalidade, levou a que fosse reinventando o flamenco, e ao trabalho nas fronteiras estilísticas. Se ele foi (como todos os inovadores) bastante criticado e acusado de traição, hoje será mais ou menos unânime que o flamenco nunca mais será o mesmo depois de Paco de Lucia, e que sem ele a guitarra flamenca não teria o alcance que tem hoje.
Siroco é quase como que uma tentativa de definir o estilo, na sua nova concepção. Harmónica e ritmicamente mais colorido, encontra-se bastante próximo da sua raíz, do flamenco mais puro, dos ritmos batidos com palmas, e do canto desgarrado. Mas mais que isso, é um álbum que resulta da paixão pela música e do amor em tocar. E depois há a questão de ficarmos com os queixos no chão com tamanho virtuosismo.
17 anos depois de Siroco, e tendo desde então trabalhado em projectos tão diferentes como:
Guitar Trio, com Al DiMeola e John McLaughlin; Concerto de Aranjuez (ao que parece era a interpretação preferida do Rodrigo... Discutível); álbum com obras de Manuel de Falla; várias incursões pelo "neo-flamenco",
Paco de Lucia volta a aproximar-se da "autenticidade" de que era acusado de estar alheado. Cositas Buenas é para mim um álbum bastante próximo de Siroco, mas constitui a sua evolução lógica. A paixão orgânica que caracteriza a música não pode deixar ninguém indiferente. A cumplicidade da ligação entre voz (Paco também canta) e guitarra é avassaladora.
É fantástico ver como Paco lida com o conflito entre inovação e personalidade. Duma forma tão fantástica que a ele parece ser completamente indiferente - e deixa-o subjugado pela sua música. Há muito a aprender com este verdadeiro ícone (então para nós, guitarristas clássicos...).
A título de (pequeníssimo) exemplo, aqui fica a parte final de Soleá, do álbum Siroco:
Links:
Site Oficial
Link YouTube 1 - Volar, de Cositas Buenas
Link YouTube 2 - Gloria al Niño Ricardo (Soleá), de Siroco
Quem conhecer a história do Paco sabe que consiste basicamente em duas etapas distintas:
1. Tocar até cair para o lado desde que o pai o tirou da escola para se dedicar exclusivamente à guitarra. Depois, tocar ainda mais.
2. Conquista mundial. Tocar o dobro.
Ora, durante o processo do ponto 2, Paco teve contacto com muitos dos maiores músicos da sua (nossa) época, e com muitos géneros musicais diferentes. Isto, aliado à sua originalidade, levou a que fosse reinventando o flamenco, e ao trabalho nas fronteiras estilísticas. Se ele foi (como todos os inovadores) bastante criticado e acusado de traição, hoje será mais ou menos unânime que o flamenco nunca mais será o mesmo depois de Paco de Lucia, e que sem ele a guitarra flamenca não teria o alcance que tem hoje.
Siroco é quase como que uma tentativa de definir o estilo, na sua nova concepção. Harmónica e ritmicamente mais colorido, encontra-se bastante próximo da sua raíz, do flamenco mais puro, dos ritmos batidos com palmas, e do canto desgarrado. Mas mais que isso, é um álbum que resulta da paixão pela música e do amor em tocar. E depois há a questão de ficarmos com os queixos no chão com tamanho virtuosismo.
17 anos depois de Siroco, e tendo desde então trabalhado em projectos tão diferentes como:
Guitar Trio, com Al DiMeola e John McLaughlin; Concerto de Aranjuez (ao que parece era a interpretação preferida do Rodrigo... Discutível); álbum com obras de Manuel de Falla; várias incursões pelo "neo-flamenco",
Paco de Lucia volta a aproximar-se da "autenticidade" de que era acusado de estar alheado. Cositas Buenas é para mim um álbum bastante próximo de Siroco, mas constitui a sua evolução lógica. A paixão orgânica que caracteriza a música não pode deixar ninguém indiferente. A cumplicidade da ligação entre voz (Paco também canta) e guitarra é avassaladora.
É fantástico ver como Paco lida com o conflito entre inovação e personalidade. Duma forma tão fantástica que a ele parece ser completamente indiferente - e deixa-o subjugado pela sua música. Há muito a aprender com este verdadeiro ícone (então para nós, guitarristas clássicos...).
A título de (pequeníssimo) exemplo, aqui fica a parte final de Soleá, do álbum Siroco:
Links:
Site Oficial
Link YouTube 1 - Volar, de Cositas Buenas
Link YouTube 2 - Gloria al Niño Ricardo (Soleá), de Siroco
terça-feira, 17 de junho de 2008
Panic At The Disco - Pretty. Odd.
Foi com bastante surpresa que no outro dia, em conversa com o Pedro, ele mencionou que os Panic! At The Disco (agora Panic At the Disco) lançaram um álbum interessante, com influências de Beatles e não sei mais o quê. Desculpa Pedro, não me lembro bem da conversa, mas o que é facto é que a curiosidade cresceu e decidi ouvir o álbum.

De facto, a ex banda emo-punk tem aqui um trabalho bastante diferente daquilo a que habituaram os seus fãs (para bem da humanidade). Influências de Beatles e Alice no País das Maravilhas a rodos (mesmo, até no vídeo, como vão poder comprovar).
O guitarrista Ryan Ross diz, nesta entrevista ao site ultimate-guitar.com, que o seu desejo é que os PATD sejam os próximos Radiohead. Salvações do rock aparte, até porque este registo não traz nada de novo ao rock em si, estamos na presença de um óptimo álbum pop: bem produzido, canções muito catchy, boas influências. Apesar do elevado número de faixas (15) não se pode dizer que existam fillers (músicas para encher chouriço, como em 99% dos álbuns com mais de 12 músicas) e quase todas as músicas têm capacidade de funcionar como single numa rádio perto de si.
Não estamos na presença de nada espectacular, como já disse, mas é um disco que me surpreendeu, até porque hoje em dia já quase não há pop decente. Aliás, a pop que há (boa ou má) é toda uma mistura de música electrónica com hiphop e/ou R&B, sendo que uma banda que ainda toca guitarras é uma lufada de ar fresco (paradoxalmente).
E aqui está o primeiro "hitsingler" da banda. Como passatempo adicional, tentem encontrar todas as referâncias aos fab-four!
É um óptimo álbum para uma tarde feliz e bem passada a fazer um piquenique :D

De facto, a ex banda emo-punk tem aqui um trabalho bastante diferente daquilo a que habituaram os seus fãs (para bem da humanidade). Influências de Beatles e Alice no País das Maravilhas a rodos (mesmo, até no vídeo, como vão poder comprovar).
O guitarrista Ryan Ross diz, nesta entrevista ao site ultimate-guitar.com, que o seu desejo é que os PATD sejam os próximos Radiohead. Salvações do rock aparte, até porque este registo não traz nada de novo ao rock em si, estamos na presença de um óptimo álbum pop: bem produzido, canções muito catchy, boas influências. Apesar do elevado número de faixas (15) não se pode dizer que existam fillers (músicas para encher chouriço, como em 99% dos álbuns com mais de 12 músicas) e quase todas as músicas têm capacidade de funcionar como single numa rádio perto de si.
Não estamos na presença de nada espectacular, como já disse, mas é um disco que me surpreendeu, até porque hoje em dia já quase não há pop decente. Aliás, a pop que há (boa ou má) é toda uma mistura de música electrónica com hiphop e/ou R&B, sendo que uma banda que ainda toca guitarras é uma lufada de ar fresco (paradoxalmente).
E aqui está o primeiro "hitsingler" da banda. Como passatempo adicional, tentem encontrar todas as referâncias aos fab-four!
É um óptimo álbum para uma tarde feliz e bem passada a fazer um piquenique :D
Temas:
Albuns,
Lançamentos,
Pop,
Rock
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Stephan Schmidt - Bach Lute Works
Já que está na moda neste blog falarmos das nossas mais recentes coladelas/descobertas, venho aqui falar-vos de Stephan Schmidt, guitarrista clássico de origem germânica. O seu álbum Bach - Lute Works, onde é tocada a obra para alaúde do Sr. João Sebastião Ribeiro, vem provar que a interpretação da Música antiga/barroca é uma das áreas onde mais se tem evoluído recentemente, favorecida pelo conhecimento e debate técnico, pelo desenvolvimento instrumental e por vários contributos doutras áreas.
Quem já tocou as Suítes Instrumentais de Bach sabe quão exigentes são a nível técnico, quão cerebrais se podem tornar devido a uma quase-supremacia do detalhe e, sobretudo, como é necessário um grande domínio estilístico e do instrumento. Tudo isto torna a naturalidade da execução de Stephan Schmidt fora de série. É uma daquelas interpretações que tem tudo "no sítio certo" - o que noutras andanças pode ser pejorativo, mas, nestas obras, é o maior elogio que pode ser feito.
A sua utilização da guitarra de 10 cordas não é, de todo, alheia ao seu sucesso, permitindo-lhe, em primeiro lugar, tocar as peças na sua tonalidade original - o que é bastante difícil numa guitarra clássica de 6 cordas - e, por outro lado, ter um excelente equilíbrio tímbrico e sonoro, que pede algo emprestado ao alaúde mas o ultrapassa completamente - em termos de projecção e diversidade de cores sobretudo.
Para quem anda a tentar - tantos exemplos poderíamos dar - reinventar a música de Bach, a audição deste CD duplo é altamente recomendável. Porque parece que tudo o que havia a descobrir, tudo o que havia de tão fantástico a descobrir, está lá escancarado nos manuscritos do compositor. Só que nem toda a gente tem a magnífica capacidade de constatar o óbvio.
Links:
Site oficial
Loja online com excertos disponíveis (em formato RAM)
Quem já tocou as Suítes Instrumentais de Bach sabe quão exigentes são a nível técnico, quão cerebrais se podem tornar devido a uma quase-supremacia do detalhe e, sobretudo, como é necessário um grande domínio estilístico e do instrumento. Tudo isto torna a naturalidade da execução de Stephan Schmidt fora de série. É uma daquelas interpretações que tem tudo "no sítio certo" - o que noutras andanças pode ser pejorativo, mas, nestas obras, é o maior elogio que pode ser feito.
A sua utilização da guitarra de 10 cordas não é, de todo, alheia ao seu sucesso, permitindo-lhe, em primeiro lugar, tocar as peças na sua tonalidade original - o que é bastante difícil numa guitarra clássica de 6 cordas - e, por outro lado, ter um excelente equilíbrio tímbrico e sonoro, que pede algo emprestado ao alaúde mas o ultrapassa completamente - em termos de projecção e diversidade de cores sobretudo.
Para quem anda a tentar - tantos exemplos poderíamos dar - reinventar a música de Bach, a audição deste CD duplo é altamente recomendável. Porque parece que tudo o que havia a descobrir, tudo o que havia de tão fantástico a descobrir, está lá escancarado nos manuscritos do compositor. Só que nem toda a gente tem a magnífica capacidade de constatar o óbvio.
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segunda-feira, 9 de junho de 2008
Quarteto 1111 - «Onde Quando Como Porquê Cantamos Pessoas Vivas»
Já falei da colecção «Do Tempo do Vinil». Quando vi a lista de título da 2ª vaga vi que ia ter que ir às compras! Este álbum do Quarteto 1111, apelidado de «Obra-Ensaio de José Cid», a isso obrigou.

Quando se fala de José Cid, a maior parte pensará numas «Favas com Chouriço», num «20 anos» ou em «Como o Macaco Gosta de Banana...». Outros - aqueles que se acham mais conhecedores - dirão que pensam num «10.000 Anos entre Vénus e Marte», a grande obra progressiva do mestre Cid, reconhecida lá fora. Pois eu digo que são todos incultos e incompletos, se não conhecem este álbum! Não vou discutir a qualidade do «10.000 Anos...», até porque o adoro. Mas José Cid é muito mais este «...Cantamos Pessoas Vivas» do Quarteto 1111. Justifico-me com as suas palavras:
«O "10.00 Anos..." pode associar-se aos Genesis, aos Yes, aos Pink Floyd... e este não. Só o consigo associar ao próprio Quarteto 1111. É muito acústico, muito puro, muito poético, muito original»
Composto por Cid fazendo uso de um poema de José Jorge Letria, este é um álbum bastante político, editado em 1975 e percursor do «10.000 Anos...». Quem conhecer o single «Vida (Sons do Quotidiano» detectará algumas semelhanças. O álbum é constituído por uma só peça, de cerca de 30 minutos, que atravessa diferentes sonoridades, fazendo uso de ambientes mais acústicos (com predominância da guitarra acústica e piano) mas chegando a outros mais característicos do rock sinfónico inglês do início dos anos 70, com os obrigatórios sintetizadores a fornecerem todas as linhas melódicas e um extenso solo de guitarra eléctrica.
Um belo jogo de dinâmicas, numa peça longa mas que não cansa, muito bem estruturada e bem cantada ao jeito do José Cid dos 70's, do registo mais melancólico ao mais intenso e «berrado». Um exemplo para todos os que gostam de fazer músicas longas mas que não o conseguem. Esta música/álbum tem muitas partes diferentes mas nem se nota, tão bem estão integradas e tão naturalmente se sucedem.
A banda era:
José Cid - Voz e teclas
Mike Sergeant - Guitarras acústicas e eléctricas, baixo
António Moniz Pereira - Segunda guitarra
Vítor Mamede - Bateria

Quando se fala de José Cid, a maior parte pensará numas «Favas com Chouriço», num «20 anos» ou em «Como o Macaco Gosta de Banana...». Outros - aqueles que se acham mais conhecedores - dirão que pensam num «10.000 Anos entre Vénus e Marte», a grande obra progressiva do mestre Cid, reconhecida lá fora. Pois eu digo que são todos incultos e incompletos, se não conhecem este álbum! Não vou discutir a qualidade do «10.000 Anos...», até porque o adoro. Mas José Cid é muito mais este «...Cantamos Pessoas Vivas» do Quarteto 1111. Justifico-me com as suas palavras:
«O "10.00 Anos..." pode associar-se aos Genesis, aos Yes, aos Pink Floyd... e este não. Só o consigo associar ao próprio Quarteto 1111. É muito acústico, muito puro, muito poético, muito original»
Composto por Cid fazendo uso de um poema de José Jorge Letria, este é um álbum bastante político, editado em 1975 e percursor do «10.000 Anos...». Quem conhecer o single «Vida (Sons do Quotidiano» detectará algumas semelhanças. O álbum é constituído por uma só peça, de cerca de 30 minutos, que atravessa diferentes sonoridades, fazendo uso de ambientes mais acústicos (com predominância da guitarra acústica e piano) mas chegando a outros mais característicos do rock sinfónico inglês do início dos anos 70, com os obrigatórios sintetizadores a fornecerem todas as linhas melódicas e um extenso solo de guitarra eléctrica.
Um belo jogo de dinâmicas, numa peça longa mas que não cansa, muito bem estruturada e bem cantada ao jeito do José Cid dos 70's, do registo mais melancólico ao mais intenso e «berrado». Um exemplo para todos os que gostam de fazer músicas longas mas que não o conseguem. Esta música/álbum tem muitas partes diferentes mas nem se nota, tão bem estão integradas e tão naturalmente se sucedem.
A banda era:
José Cid - Voz e teclas
Mike Sergeant - Guitarras acústicas e eléctricas, baixo
António Moniz Pereira - Segunda guitarra
Vítor Mamede - Bateria
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Portuguesa,
Rock
Foge Foge Bandido
Foge Foge Bandido é para mim algo difícil de descrever. Não é um álbum com um livro giro, nem pode ser visto e ouvido como tal. Não é um livro com cd's. Não é um projecto nem uma banda. Foge Foge Bandido são 2 CD's, 80 faixas, um livro de 140 páginas intensamente ilustrado, e acima de tudo uma obra de arte inovadora. Uma lufada de ar fresco no panorama dos lançamentos nacionais. Um trabalho de 10 anos finalmente compilado e editado para que todos dele possam fazer proveito e apreender o que quer que o seu criador tenha querido transmitir. O seu criador? O incontornável Manel Cruz.
Pessoalmente, esperava este lançamento desde que tomei conhecimento do "Foge Foge Bandido", no mínimo em 2006, mas não posso garantir que não tenha sido antes até... O tempo foi passando, entre ocasionais rumores e novos detalhes, e finalmente o dia chegou! Aparece no site da CDGO (JoJo's) a anunciar o seu lançamento para 1 de Junho numa 1ª edição de 1100 exemplares numerados. Cá em casa mora um orgulhoso nº 281 :)

Não vou fazer uma review à obra pois não é algo que se faça de ânimo leve e com duas audições. Acima de tudo isto é tudo menos convencional. E como tudo o que não é convencional, necessita de tempo para ser apreendido. Descreverei mais...
Encontramos o Lado A: O amor dá-me tesão. Encontramos o Lado B: Não fui eu que estraguei. Encontramos ao longo das 80 faixas muitas músicas, canções, umas mais curtas, outras mais longas. Encontramos faixas com ruídos, sons, samples, mosquitos, vozes... uma panóplia de sonoridades. Encontramos muitos instrumentos, muitos não-instrumentos, muitos músicos. Encontramos as letras inconfundíveis. Encontramos velhos companheiros como o Peixe, o Nuno Prata, até o Elísio. Encontramos novos companheiros como o Ruca ou o Eurico Amorim. Encontramos caras conhecidas como JP Simões ou Pacman. Encontramos outros menos conhecidos como o irmão Marcos e a irmã Marta (que «não quer chorar»...). Encontramos dezenas mais.
Nas palavras do autor:
«O Foge Foge Bandido foi um namoro de acasos, descobrir a música das pessoas e não dos músicos e atribuir ao tempo a tarefa de seleccionar o material. Foi tentar ao máximo expressar o processo, com a consciência, claro, de que o acaso se estende ao próprio entendimento desse processo e de que se calhar não percebi nada.»
No fim de tudo encontramos mais uma razão para sorrir: «PERMITIDA A CÓPIA EXCLUSIVAMENTE PARA FINS NÃO LUCRATIVOS» diz nos CD's. O incentivo é aqui correspondido, segue abaixo o link para download. Mas acreditem, vale a pena comprar.
Links:
site oficial
site não oficial
encomendar
DOWNLOAD
Pessoalmente, esperava este lançamento desde que tomei conhecimento do "Foge Foge Bandido", no mínimo em 2006, mas não posso garantir que não tenha sido antes até... O tempo foi passando, entre ocasionais rumores e novos detalhes, e finalmente o dia chegou! Aparece no site da CDGO (JoJo's) a anunciar o seu lançamento para 1 de Junho numa 1ª edição de 1100 exemplares numerados. Cá em casa mora um orgulhoso nº 281 :)
Não vou fazer uma review à obra pois não é algo que se faça de ânimo leve e com duas audições. Acima de tudo isto é tudo menos convencional. E como tudo o que não é convencional, necessita de tempo para ser apreendido. Descreverei mais...
Encontramos o Lado A: O amor dá-me tesão. Encontramos o Lado B: Não fui eu que estraguei. Encontramos ao longo das 80 faixas muitas músicas, canções, umas mais curtas, outras mais longas. Encontramos faixas com ruídos, sons, samples, mosquitos, vozes... uma panóplia de sonoridades. Encontramos muitos instrumentos, muitos não-instrumentos, muitos músicos. Encontramos as letras inconfundíveis. Encontramos velhos companheiros como o Peixe, o Nuno Prata, até o Elísio. Encontramos novos companheiros como o Ruca ou o Eurico Amorim. Encontramos caras conhecidas como JP Simões ou Pacman. Encontramos outros menos conhecidos como o irmão Marcos e a irmã Marta (que «não quer chorar»...). Encontramos dezenas mais.
Nas palavras do autor:
«O Foge Foge Bandido foi um namoro de acasos, descobrir a música das pessoas e não dos músicos e atribuir ao tempo a tarefa de seleccionar o material. Foi tentar ao máximo expressar o processo, com a consciência, claro, de que o acaso se estende ao próprio entendimento desse processo e de que se calhar não percebi nada.»
No fim de tudo encontramos mais uma razão para sorrir: «PERMITIDA A CÓPIA EXCLUSIVAMENTE PARA FINS NÃO LUCRATIVOS» diz nos CD's. O incentivo é aqui correspondido, segue abaixo o link para download. Mas acreditem, vale a pena comprar.
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